Perigosamente insensíveis
Há uns dias atrás visitando o Incompletudes, lia um post sobre o livro “A gente se acostuma com o fim do mundo” (Martin Page). Ainda não li, não posso criticar nem comentar sobre, mas o título me inspirou.
Acabei de ler o post e fiquei matutando sobre os diversos sentidos implícitos no título do livro.

Vivemos numa sociedade onde pessoas bem vestidas, supostamente cultas e bem educadas andam em seus automóveis último modelo enquanto jogam o lixo pela janela, param sobre a faixa de pedestre ou simplesmente estacionam sobre a calçada; convivem com a miséria e abandono de crianças mendigando em semáforos, de tal forma que não mais sensibilizam-se com seu infortúnio; frequentam restaurantes chiquérrimos e impecavelmente limpos e ao saírem fumando, jogam a bituca displicentemente no chão; vão à praia e no final da tarde retiram-se deixando atrás de si uma enorme quantidade de lixo; pagam propina de toda espécie enquanto criticam políticos corruptos.
Vivemos numa sociedade de valores deteriorados, onde pessoas queimam outras pessoas, que por não terem onde morar, dormem nas ruas; onde jovens assaltantes arrastam uma criança presa a um carro por vários quilômetros, sabendo o que estão fazendo; onde filhos matam pais e pais matam filhos por caprichos bestiais; onde homens espancam e matam mulheres e continuam livres, já que praticaram o ato em legítima defesa da honra; onde um pai mantém em cárcere privado a própria filha, abusando sexualmente dela por vários anos; onde padres, supostamente defensores da moral, aliciam adolescentes sexualmente.
Vivemos numa sociedade onde a capacidade de “acostumar-se” está se tornando algo extremamente perigoso.
(imagem: escultura de Mariele Neudecker)













Construimos uma sociedade extremamente perigosa. E temos medo de nossas criações.
O cara é bom em títulos de livro. O anterior chama-se “Como me tornei estúpido”. Também fiquei curiosa, por ambos. Se ler, me conte.
Voltei das férias!
Bezzos, querida,
o perigo, é perdermos a indignação Sarah. sem ela, realmente o fim vai chegando sem percebermos.
*nas escolas, por exemplo, piro com comportamentos classificados como ‘normais’ por pedagogos e psicólogos aos adolescente, porque assim os são. não me acostumo, fico indignada, sou sensível ao que fere a moral.
é o que a Celine aí em cima falou: estamos construindo uma sociedade extremamente perigosa.
Sarah, as pessoas vão se acostumando e incorporando para si essas atitudes… Uma pena.
E quantos que leram esse post podem se colocar numa posição solícita, mas no fundo, agem da mesma forma.
Essas são as lições que não aprendemos em sala de aula, e se os professores da vida não forem bons, mais pessoas agirão insensivelmente.
Beijos,
Mel
Insensíveis e auto-centrados. É assim que estamos ficando…
A gente se acostuma com tudo nessa vida, Saroca. Animais adaptativos que somos, acostumamos a destruir…
Como dizia Schopenhauer: “Para permanecermos vivos, temos de matar algo ou alguém”.
Triste realidade.
Beijooooooooooooos
Nesse aspecto (e em muitos outros), mais do que mudar, devemos fazer com que as coisas mudem!
Abraços, flores, estrelas..
Sara, falou e disse tudo, brigo comigo mesmo o tempo todo pois não quero achar normal tudo isso, não quero me acostumar com isso . Mas também posso te falar que tenho certeza que quem vive como eu se sente muito mal com o novo tempo …. tudo que eu aprendi até agora está indo para o ralo …
bjs
Sara, os valores estão invertidos.
Às vezes não acredito no que ouço e vejo.
Mas, aprendi uma coisa, que a gente só consegue mudar o mundo quando muda nossa vida.
Começar de dentro, né?
E já é tão árduo…
Beijinho com carinho pra você.
Bom esse BLOG!
Sinto falta disso…gente que pensa, a construção da crítica, a autocrítica.
Parabéns!
oi SERGIO!
obrigada …. e aparaça qdo quiser, ótimo ter visitas como as tuas.
LIVIA deixou este comentário no post superior, que reporduzo aqui … quem quiser ler é ótimo:
“No segundo texto:nossa grande tarefa e/ou trabalho é educar a nós mesmos.Nao basta o ornato,a aparência da boa figura,é preciso a consciência da Boa Educação como forma de nos mantermos civilizados no comportamento seja ele qual for.Mas…aprendemos(numa inversão perversa de valor)qyu o falso brilhante tem o mesmo valor do verdaeiro!Entao fingi-se ser…Nada mais irritante que madame deixando cachorrinho defecar nas calçadas!Motorista colocar carros na calçada;pedestre atravessar fora da faixa;jogar papel no chão com a lixeira perto;e tantos outros atos deseducados.Pequenos atos educado revela o que somos?sim.Nos recusando a ser mal educado,isto nos leva a não sermos adeptos do jeitinho,do suborno,do egoísmo.O brasileiro é um povo mal educado,gosta de ser esperto(confunde isso com sabedoria!).Reinventar o brasileiro?basta melhorar a educação com exemplos .Certa vez na Suíça,ouvi um brasieliro(turista)levar bronca de uma senhora que correu atrás dele de guarda chuva porque ele havia jogado papel de bala no chão. E disse que ele respeitasse a sua CASA,pois ele era um hóspede ali. O brasileiro deveria aprender a cuidar de suas coisas e valorizar o que é de todos. O bem público é um bem e patrimônio comum.Mas brasileiro não sabe o que é isso!).Um povo se educa,não é? Beijão querida.”