Voltando… ainda sem muita inspiração. Mas o importante é que deu vontade de tocar o blog novamente.
Este vídeo é genial, aborda o sexo seguro de uma forma tão consciente e ampla, não só a forma segura de fazer sexo, mas a postura, sem falsos moralismo, sem preconceito, sem hora marcada, sem idade, sem culpas e sempre com segurança e respeito. Diz tanto em tão pouco tempo. Leve e profundo… melhor ver. Inspire-se!
“Os homens aparentam a vida que levam, talvez todos nós aparentemos. Seus rostos e corpos confirmam o trabalho pesado. Todos são esguios, sem um quilinho de gordura a mais. Parecem curtidos pelo sol, de um bronzeado tão profundo, que provavelmente nunca fiquem páldos no inverno. Suas roupas de trabalho são práticas, grosseiras. Eles não se arrumam, apenas se vestem. Portam também uma dignidade natural. Sem dúvida, alguns são espertalhões, insensíveis, cruéis, mas parecem totalmente presentes, abertos, vivos. Faltam dentes a alguns, mas eles riem à vontade, sem constrangimento. Um menino retardado perambula entre eles, sem que cuidem dele e sem que o ignorem.”(sobre as pessoas do campo - no livro SOB O SOL DA TOSCANA)
O trecho fala de algo tão básico na vida e ao mesmo tempo tão fora de uso: naturalidade e simplicidade. O tema me veio à cabeça outro dia no trabalho quando falávamos de Susan Boyle. Depois de assistirmos o vídeo onde ela se apresentava no “Britains Got Talent” e era ridicularizada pelos jurados e público, aparentemente por ser gorda, feia, ter apenas 46 anos e aparentar quase 60, nunca ter casado, não ter namorado e mesmo assim, sorrindo sempre, dizendo-se feliz. O tom de deboche continuou até ela começar a cantar; a voz era sublime, emocionante. De repente todos calaram, pasmos e extasiados. Uma coisa não combinava com a outra. Quem é feio está fadado ao fracasso, quem é feio não pode ser feliz; parecia ser esta a confusa indignação de milhares de pessoas diante da imagem e da voz de Susan Boyle.
Hoje em dia (leia-se final do sec. XX e início deste), muito mais que em outros tempos, estar fora dos padrões ditados pela sociedade é a pior das pragas, principalmente os de beleza e riqueza. Porque naturalidade e simplicidade adquiriram status de errado? Porque vivemos numa louca corrida atrás de uma suposta felicidade que se traduz sempre na posse material e na busca de uma aparência perfeita e artificial?
Uma colega do trabalho ao terminar de ver o vídeo da Susan disse: “nossa! e ela se diz feliz. mas com tão pouco…?”
Qual a medida da felicidade? Muitos de nós crêem ser dinheiro e beleza.
Beleza é fugaz, inevitavelmente ligada à juventude que um dia nos abandonará. A posse material gera mais insatisfação do que prazer, a cada aquisição nos sentimos mais vazios e desejamos consumir mais. O resultado disto tudo é a produção de mais e mais infelicidade à medida que perseguimos seu oposto. Nesta corrida, esquecemos o cultivo diário de nossa espiritualidade, de cuidar do conteúdo da nossa “embalagem”; esquecemos que paz interior não se compra nem está vinculada a uma bela aparência. Vocês podem me achar piegas e previsível, mas a verdade é que relegamos valores simples e tão intrínsecos à nossa natureza em nome de uma corrida vazia e desenfreada rumo à superficialidade.
Resultado?
Uma legião de pessoas “bonitas”, “ricas” e terrivelmente insatisfeitas. Não aquela insatisfação saudável que nos leva ao crescimento, mas aquela doentia e cega que nos tolhe a capacidade de enxergar além das aparências.
Encontrei esta foto outro diaaqui, o que me fez lembrar desta outraaqui. Tudo isto traz de volta a velha pergunta que não quer calar: o que estáacontecendo com os homens?
Mais um domingo na praia e algumas mulheres encontram-se por acaso; idades e ocupações diversas e repete-se a pergunta como num côro. Descobrir a resposta já seria tema de pesquisa científica e não é isto que pretendo agora. O problema é que toda esta situação se intensifica quando colocamos mais um ingrediente no caldeirão: o número de mulheres heteros e solteiras é infinitamente maior que o de homens na mesma condição. Este superavit gera uma carência feminina coletiva, quase uma calamidade pública.
O que fazer? Existem algumas alternativas sendo praticadas, como importação de namorados ou os sites de relacionamento (nem sempre confiáveis) que praticam o livre comércio do “amor ao seu alcance”. A primeira alternativa, mostra-se depois de algum tempo muito onerosa, um amor via ponte aérea que se inviabiliza pela distância/ausência e acaba com os dias contados; já a segunda traz inúmeras frustrações, além da possibilidade de golpes e enganos. Em paralelo, ainda existe toda uma questão comportamental, ou seja, as relações hoje em dia se esbarram na crescente propagação do individualismo que dificulta o envolvimento verdadeiro entre as pessoas. Estamos cada dia mais blindados, mais exigentes, mais auto-centrados e infelizmente, mais carentes. Estamos num beco sem saída, onde entramos por livre e espontânea vontade, mas de onde não conseguimos sair, apesar da urgente necessidade.
E foi divagando sobre tudo isto e andando por aí que descobri dois textos ótimos, um doMarcelo Gleisere outro doInagaki, que tratam de amor, tecnologia e solidão. Uma mistura com cara de ficção científica, mas que diante de um cenário amoroso tão desanimador estampa-se como uma terrível solução – amor e sexo com robôs.
Será que estamos predestinadas à solidão e por conseguinte a forjarmos artificialmente companheiros sob encomenda? Ou será que esta carência/falta a que somos impostas atualmente não seria um aprendizado sobre o verdadeiro sentido de amar?
Estou um pouquinho atrasada com a nota, o babado foi em março passado. Durante o episódio vários sites manifestaram-se (aqui e aqui alguns exemplos), houveram reclamações ao CONAR e muita pressão que culminou com a extinção da campanha.
A propaganda saiu do ar (em 17/04), mas quem não viu pode agora ver e se perguntar por que em pleno sec XXI uma empresa como a Elma Chips dá uma mancada destas.
Uma campanha infeliz e abertamente homofóbica, apesar de tentar parecer cômica: amigos escutam YMCA (Village People) enquanto passeiam de carro quando um deles se anima começando a dançar ao ritmo da música, os outros caras começam a fazer cara feia numa clara atitude de desdém… Eis que surge o preconceito disfarçado de brincadeirinha.
Como assim: “quer dividir alguma coisa com os amigos, divida um Doritos”? Olha que eu adoro Doritos, mas depois desta vou deixar de consumir. Quanta babaquice! Como uma empresa se presta ao papel de propagar a homofobia desta forma? Vergonhosa, velada, disfarçada de engraçadinha, contribuindo descaradamente para a continuidade do preconceito.
Lamentável.
E eu divido sim algo com meus amigos: o repúdio à homofobia e o apoio à liberdade por qualquer opção sexual!
Juro que no dia 22, domingo, eu queria ter vindo aqui escrever, mas fiquei sentada diante da água, embora salgada, mergulhando, ingerindo líquidos que tinham água em sua composição, apesar de ser mais etílica; e mais tarde, usando a água para atividades menos mundanas me lembrei de fechar a torneira quando não a estava utilizando.
E você, o que fez? Espero que não tenha desperdiçado muita água…
É verdade que 1/6 da população mundial já sofre pela inexistência de água potável no seu cotidiano e as previsões continuam desanimadoras mostrando que em breve (2030 – são só mais 20 anos) mais de 1/3 da população mundial perderá acesso franco a esse indispensável bem natural.
Você sabia que se 20.000.000 de pessoas fechassem a torneira toda vez que escovam os dentes ou ensaboam-se no banho seria economizado um volume de água correspondente a 9 minutos ininterruptos das cataratas do Iguaçu? Pensou??
Semana passada eu soube de uma notícia como tantas outras que sabemos todos os dias, mas que me deixou boquiaberta diante do paradoxo.
No Ceará, exatamente no sertão, nas cercanias do município de Nova Jaguaribara, passa um canal de água doce, o Canal da Integração (olha só o nome!). O canal leva a água do Açude Castanhão até Fortaleza com o objetivo de irrigar plantações de frutas tipo exportação e abastecer a região metropolitana e a zona portuária. Tudo perfeito se não fosse um detalhe: durante o percurso, este canal corta uns 15 municípios onde vivem sertanejos sem nenhuma infra-estrutura hídrica, não possuem água encanada e muito menos podem acessar o canal para retirar um pouco de água. Porque não? O governo do Estado, para imperdir o desvio desta água, que passa pela porta dos sertanejos, criou um forte esquema de segurança com guardas motorizados e armados 24 horas, vigiando toda a extenão do canal, além de um circuito de vídeo com câmeras que monitoram toda a área. Todo este aparato ainda conta com o auxílio da polícia militar, numa verdadeira operação de guerra. Enquanto isto os sertanejos, que não tem água em casa, nem para beber, mas que a veem passar todos os dias pela sua porta, se quiserem ter acesso a esta fonte tem de agir como ladrões.
Pois é… Isto tudo me fez traçar um paralelo. O Brasil detém grande parte do manancial de água doce do planeta. Mundo afora, tem quem defenda que a Amazônia é território mundial. Será que num futuro não muito distante entraremos, como os sertanejos do Ceará, numa guerra por esta água?
Enquanto isso jogamos lixo nas ruas mesmo sabendo para onde ele vai, deixamos litros de água limpa literalmente escorrendo pelo ralo e tratamos do assunto com a despreocupação peculiar de quem aprendeu com a cultura do desperdício e da alienação.
Esta é a Busycle, toda feita com material reaproveitado. O chassi de uma velha van que teve seu motor substituído por 14 pedais de bicicleta e um sistema complexo de engrenagens. Os assentos são cadeiras de um antigo escritório, um condutor vai ao volante e para fazê-la andar a energia e animação de seus 14 passageiros.
Os idealizadores do projeto - Heather Clark e Matthew Mazzotta, residentes em Boston - dizem que a Busycle não tenta ser uma resposta às questões ecológicas, socio-econômicas, nem tampouco uma antítese tecnológica, o que eles querem mesmo é questionar o sistema. Mostrar como é simples sair do óbvio e criar soluções, ou seja, a Busycle convida as pessoas a literalmente participarem de um pequeno movimento, incita-as a se mexerem, a tomarem atitudes, num exercício completo de corpo e mente.
Dia 20 de setembro foi o Dia Mundial sem Carro. Confesso que esqueci, neste dia viajei de carro.
Lembrando disso comecei a pensar: O que tenho feito pelo planeta? No barato tenho feito coleta seletiva do meu lixo, reaproveitado embalagens, reciclado papel no escritório…
E você o que tem feito? Quase nada? Pouco? Não sabe o que fazer?
A designer Shiu Yuk Yuen anda fazendo a parte dela, criou este guarda-chuva instantâneo. Com estrutura dobrável que cabe no bolso e utiliza como cobertura qualquer material que você tenha à mão: sacos plásticos, folhas de jornais, sacos de papelão, etc. É simples, nós que não estamos habituados a pensar sustentavelmente, acostumados que estamos com a cultura do descartável, do desperdício e do fast food.
O que andamos fazendo além de consumir/descartar, descartar/consumir?
Veja nesse vídeo o que perigosamente anda acontecendo por aí e o que podemos fazer. Se não puderem assistir todo o vídeo, dêem especial atenção ao trecho que começa aos 12 min. no contador.
Acontecimento banal e corriqueiro que a fazia chorar copiosamente, com uma raiva incontida expressa aos soluços.
Um homem, ao lado olhando-a curioso, pergunta: “Tem um macaco?” Ela vira-se descontrolada, olhos arregalados e grita: “Nesta selva, macacos não me bastam, preciso de um gorila!!”
Quem é a favor do Dia da Dor de cabeça levanta a mão!!
Para as farmácias tanto faz. E para você??
Dia 6 de setembro, sem desculpas, você vai poder comemorar um acontecimento de todo dia.
Quem me conhece sabe que não gosto muito destas datas comemorativas que geralmente tem como único objetivo o consumo; mas como também gosto de surpreender, apóio a criação do Dia do Sexo – patrocinado pela Olla – pois se o assunto é sexo seguro, meu apoio é total e irrestrito.
Então, o *idéias* também apóia esta campanha. Nada mais justo que um dia para comemorar a ‘coisa’ que goza (literalmente) da preferência indiscutível de todos nós.
Se você gosta da idéia da criação de mais esta data no calendário das zilhões de tantas já existentes (porém, muito mais prazerosa), clique AQUI para assinar o Manifesto. Ou você está com dor de cabeça?!
Trocar o carro pela bicicleta viria a ser solução para alguns problemas urbanos, evitar congestionamentos, reduzir emissão de CO2 e consumo de combustíveis nesses tempos em que o bio-combustível ameaça a produção de alimentos. Acontece que nem tudo é tão simples e a grande maioria das pessoas não quer nem sonhar em trocar o conforto do seu automóvel por uma bicicleta, mesmo que seja para investir numa sobrevida para o planeta.
Esse papo todo porque andei lendo algo sobre um estacionamento criado pela Inout Designers, um manifesto a favor da sustentabilidade urbana que permite colocar na mesma vaga destinada a um automóvel, seis bicicletas. Trocando nosso carro por uma bicicleta - não precisa ser todo dia, comece com um dia, tudo é uma questão de acostumar-se (estou dizendo isto para mim também) – começaremos a fazer parte efetiva deste manifesto, que mais do que criar uma peça, chama atenção de forma prática e inteligente para o caos que se instala diariamente nos grandes centros urbanos, de proporções e consequências já sentidos.
A iniciativa seria ótima se não esbarrasse em outros problemas, os de infra-estrutura urbana. Quais cidades brasileiras possuem uma boa malha de ciclovias? Estamos preparados para sermos sustentáveis? Infelizmente acho que não. Aqui mesmo em Salvador, a SET diz que “criou” uma via expressa exclusiva para ônibus. Criou nada! Ao invés de construir esta nova via, o que fizeram? Conseguiram apenas aumentar os congestionamentos nos horários de “rush” suprimindo uma faixa de rolamento justamente no momento em que a cidade revela altos níveis de crescimento urbano. Ciclovias? Apenas para quem usa a bicicleta como opção de lazer, no calçadão à beira mar.
Soluções existem, o problema real está no estilo de vida que criamos e nas políticas urbanas e de transporte de massa que dia após dia revelam-se cada vez menos sustentáveis.
Mas voltanto ao manifesto, o design da peça é uma grande sacada.
E daí, para que serve mais esta data se não faço nada com ela? Se não páro um minutinho para imaginar pelo menos o que significa meio ambiente. Muita gente quando ouve ‘esse papo’ pensa logo numa floresta com suas árvores e suas feras, excluindo sua vida urbana do conjunto.
Sinto muito, mas a cena não é bem esta. Você, seu carro, o lixo, a poluição, a praia do domingo, seu cachorro, sua comida, sua saúde, o oxigênio, a água, seu cigarro, o dióxido de carbono, o mau-cheiro dos esgotos, o sol, o efeito estufa, a climatização artificial, sua cidade, o rio poluido cortando a avenida, o consumo, a política, a chuva que refresca e alaga, o calor sufocante, a floresta, o vento, as árvores, as flores e os bichinhos estão todos juntos no mesmo pacote… Então, hoje é o dia de pensar pelo menos em você e no seu bem-estar tão dependente deste ‘meio’ que é inteiro se não puder enxergar mais nada diante do nariz.
Pois é, quando cuidamos melhor da qualidade da nossa vida como pessoa e cidadão, de quebra estamos contribuindo para uma melhor qualidade à nossa volta e isto retorna prá nós, numa cadeia incessante, como na lei do eterno retorno. É simples, começar a ser mais responsável na relação com o meio ambiente, que ao contrário do que se pensa, não está dissociado de nós, somos nós. Então, não justifica tanto descuido.
Mês passado, a Market Analysisdivulgou resultado de pesquisa sobre as reações dos brasileiros diante da perspectiva do aquecimento global e mudanças ambientais drásticas, mostrando que estamos divididos entre crença e descrença: 52% acredita que as mudanças no clima não sejam graves, enquanto 46% mostram-se temerários; já quando o assunto é a crença na capacidade de modificar postura pessoal, 40% dos pesquisados se acham capazes de realizar mudanças, mas quando a questão é pesquisada mais a fundo registram-se apenas 16% destes 40 como os efetivamente mobilizados. Ou seja, vivemos um falso clima de engajamento, ouve-se e fala-se demasiado, em contrapartida pratica-se quase nada.
Já pensaram? Pequenas atitudes individuais juntas produzem um mutirão como uma onda que através da convivência, da divulgação boca-em-boca pode mudar o comportamento de muitos que ainda apenas acham que podem fazer alguma coisa.
Faça sua parte!
É preciso por em prática nossa boa vontade. O resultado disto vem a longo prazo, e talvez nem estejamos aqui para ver, mas não importa. Lá adiante, nossos filhos, netos, bisnetos podem ter a chance de viver numa civilização onde o cidadão age em acordo e não contra a natureza, por simples questão de respeito à vida, de sobrevivência.
Acredito que tudo começa nas pequenas ações, isoladas mas persistentes. São coisas simples, que até parecem banais, atitudes sobre as quais já falei muito por aqui, lembram? Se não, olhem aí embaixo.
O *idéias* está atrasado nesta iniciativa, mas o que está valendo mesmo é a intenção, divulgar este evento de inclusão digital mesmo com este ENORME atraso.
Entre os dias 25 e 27 de abril passado aconteceu o Dia Global do VoluntariadoJovem (que como vocês podem ver não foi um dia, mas três), e nesta iniciativa incluiu-se o Movimento Blog Voluntário que foi direcionado a pessoas com pouca ou quase nenhuma habilidade com computador. A idéia do movimento foi mobilizar a blogosfera no sentido de reduzir o analfabetismo digital, criando posts com dicas sobre uso de computadores ou qualquer meio digital, tornando desta forma o acesso à informação o mais democrático possível. Mais um movimento de inclusão, dos quais sou absolutamente simpatizante.
Há uns dias atrás visitando o Incompletudes, lia um post sobre o livro “A gente se acostuma com o fim do mundo” (Martin Page). Ainda não li, não posso criticar nem comentar sobre, mas o título me inspirou.
Acabei de ler o post e fiquei matutando sobre os diversos sentidos implícitos no título do livro.
Vivemos numa sociedade onde pessoas bem vestidas, supostamente cultas e bem educadas andam em seus automóveis último modelo enquanto jogam o lixo pela janela, param sobre a faixa de pedestre ou simplesmente estacionam sobre a calçada; convivem com a miséria e abandono de crianças mendigando em semáforos, de tal forma que não mais sensibilizam-se com seu infortúnio; frequentam restaurantes chiquérrimos e impecavelmente limpos e ao saírem fumando, jogam a bituca displicentemente no chão; vão à praia e no final da tarde retiram-se deixando atrás de si uma enorme quantidade de lixo; pagam propina de toda espécie enquanto criticam políticos corruptos.
Vivemos numa sociedade de valores deteriorados, onde pessoas queimam outras pessoas, que por não terem onde morar, dormem nas ruas; onde jovens assaltantes arrastam uma criança presa a um carro por vários quilômetros, sabendo o que estão fazendo; onde filhos matam pais e pais matam filhos por caprichos bestiais; onde homens espancam e matam mulheres e continuam livres, já que praticaram o ato em legítima defesa da honra; onde um pai mantém em cárcere privado a própria filha, abusando sexualmente dela por vários anos; onde padres, supostamente defensores da moral, aliciam adolescentes sexualmente.
Vivemos numa sociedade onde a capacidade de “acostumar-se” está se tornando algo extremamente perigoso.
“Não seremos capazes de respeitarmos a nós mesmos se não respeitarmos os demais seres vivos” Rosa Montero
Mês passado recebi um mail, uma petição on-line solicitando que a participação de Guillermo Habacuc na Bienal de 2008 seja revista, baseada na polêmica e cruel participação anterior.
Concordo totalmente, a dita instalação na Bienal 2007 foi extrememente cruel e desumana, mas será que todas estas pessoas (inclusive eu) que se indignaram com o fato, preocupam-se também com a realidade dos animais dentro da nossa sociedade?
Todos os dias milhares de animais são torturados, maltratados e mortos em nome da nossa sobrevivência, prazer e bem-estar. E aí, onde estarão todas as petições on-line para defendê-los? Temo que nossos inbox não dariam conta.
Isto tudo me faz pensar no quão curioso e muitas vezes ridículo é o comportamento das pessoas na rede. Será que realmente pensam e preocupam-se seriamente com as bandeiras que levantam? Isto também me recordou a época que rolou na rede o abaixo assinado contra o filme Turistas, na minha opinião uma completa perda de tempo e energia engajar-se numa iniciativa destas. Melhor seria se procurássemos no nosso dia-a-dia sermos cidadãos mais éticos, conscientes e participativos.
Pois é, mas voltando aos animais, todos os dias milhares e milhares são sacrificados como cobaias em pesquisas científicas, testando efeitos de novas drogas que prolongarão a vida humana sobre o planeta, outros milhares são torturados e sacrificados em prol do desenvolvimento da indústria cosmética. Outros tantos vivem alguns meses em condições nada dignas (sem ver a luz do sol, confinados em minúsculos espaços, alimentados com rações entulhadas de antibióticos e hormônios) para ao final do processo nos servirem de alimento. Não que esteja defendendo aqui a alimentação vegetariana, seria muita hipocrisia (ainda como carne, apesar de ter reduzido o consumo), mas nem por isto deixo de ter uma visão crítica sobre o assunto. Cabe a nós consumidores pressionarmos a indústria no sentido de reverem seus métodos de criação. Um exemplo disto é o caso da empresa americana “Smithfield Farms” criadora e produtora de carne suína que remodelou os moldes de criação devido a pressão de consumidores. Além disto tudo, estes métodos de criação têm desencadeado doenças perigosas para o homem, como a da Vaca Louca e a Gripe Aviária.
Temos diversas alternativas, boicotar a carne de frango de granja por exemplo é fácil com a proliferação de alimentos orgânicos. Pressionarmos fabricantes de medicamentos a investirem em técnicas de cultura in vitro de bactérias, células e órgãos. Boicotar empresas do setor de cosméticos que utilizam testes em animais na sua linha de produção; na minha opinião a prática mais cruel de todas, que em nome da estética, algo bastante supérfluo, torturam e matam cruelmente milhares de animais indefesos. Vejam aqui a lista das empresas que não utilizam animais nos testes.
Então fica aqui este alerta, nos dedicarmos a ações efetivas, nos mobilizarmos, entrarmos em contato com o SAC das empresas demonstrando nosso desagrado e informando que deixaremos de consumir produtos que não tenham uma linha de produção ética e de respeito à vida.
Assinar a petição on-line? Tudo bem, mas não se deixe contaminar por este pseudoengajamento, para falar a verdade acho que estas ações acabam sendo muito vazias de conteúdo, visto que são praticadas num momento de euforia virtual. A questão na verdade é muito mais profunda, traz à tona um dos valores mais debatidos atualmente, a ética. Temos o direito de impor sofrimento aos animais apenas visando nosso prazer e bem estar? Para onde se dirige o desenvolvimento humano se não preocupa-se com uma sociedade verdadeiramente igualitária?
“O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser Livre. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”
Podem me chamar de idealista, romântica, sentimentalóide, tola, sonhadora, mas eu creio numa coisa: o Capitalismo rouba a Liberdade das pessoas. Liberdade no seu conceito mais puro e desejado, que traz intrínseco todas as causas e consequências que o estado nos expõe.
Então, aqui e agora, você terá a ‘liberdade’ de achar que estou falando besteira, mas mesmo que discorde de mim, ou até concorde (é mesmo?!), assista este curta e deixe-se conduzir pela lógica simples, que tão inteligente e ironicamente ele expõe, sobre o funcionamento da sociedade de consumo, que em muitos momentos chega a ser tão podre quanto o lixo que produz.
ILHA DAS FLORES – curta metragem Brasil - 1989 – Direção: Jorge Furtado – Elenco: Paulo José (narração) e Ciça Reckziegel (D. Anete).
Criado há 20 anos, mas extremamente atual. Não deixem de assistir, é muito, muito bom!!
Este é o tabuleiro literário de uma baiana, a Sarah K. Lugar de experimentar com as letras desde abril/2006...... É despedaçado por não se prender a um único sabor. Iguarias diversas, preferindo uma especial, vai logo aí embaixo e escolha. Além dos pedaços de idéias em cada post, tem também esta barra lateral onde você encontrará outras delícias e surpresas. Fique à vontade, mexa em tudo... Prove o sabor deste pedaço!
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Dando pitaco