Trailer do filme HOME, nosso planeta, nossa casa (um documentário de Yann Arthus-Bertrand) que foi filmado em 54 países e será lançado mundialmente hoje (05/06/2009) em mais de 50 países, com dublagem em 14 línguas. Numa sequência única de imagens tomadas num vôo sobre o planeta, o diretor reflete conosco sua preocupação diante da crise ambiental mundial, fazendo da película uma espécie de alavanca para ações que mostram-se urgentes e necessárias para revertê-la.
Vendo este trailer lembrei-me dopost do ano passadoquando questionei nosso comportamento diante da crise ambiental; resolvi não mais perguntar e sim mostrar algumas estatísticas um tanto pessimistas, mas reais.
Porque faço isto? Talvez para chocar, para gerar questionamentos. Por acreditar que é principalmente pela educação e massificação deste tipo de informação que conseguiremos desencadear um movimento, mesmo que pequeno inicialmente, pela mudança neste cenário crítico. Acreditando, mesmo contra todas as estatísticas, que é possível.
Veja o filme, está nos cinemas e disponível on-line também, a idéia é disponibilizá-lo para todos, pagantes ou não, visto a importância da mensagem.
Num vôo surpreendente, onde o expectador é colocado como observador crítico, seu objetivo é convencer o maior número de pessoas da responsabilidade individual e coletiva em relação ao planeta, através de uma sucessão de imagens contrastantes e impactantes. UPDATE: em Salvador, está sendo exibido naSala de Arte da UFBA
E complementando… mais algumas informações sobre a crise ambiental:
- 20% da população mundial consome 80% dos recursos do planeta. GEO4, UNEP (Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente) 2007
- O mundo gasta doze vezes mais em armas do que em ajuda de desenvolvimento de países. SIPRI Yearbook, 2008 (Instituto Internacional de Pesquisa em Paz de Estocolmo)
OECD, 2008 (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)
- 5.000 pessoas morrem todos dias por beber água poluída. Um bilhão de seres humanos não têm acesso à água de beber salutar. UNDP, 2006 (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas)
- 1 bilhão de pessoas passam fome. FAO, 2008 (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)
- Mais de 50% do grão comercializado ao redor do mundo é usado para ração animal ou biocombustíveis. Worldwatch Institute, 2007
FAO, 2008
- 40% da terra cultivável é degradada. UNEP (Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente), ISRIC World Soil Information
- A cada ano, 13 milhões de hectares de florestas desaparecem. FAO, 2005
- 1 mamífero em 4, 1 pássaro em 8, 1 anfíbio em 3 estão ameaçados de extinção. As espécies estão desaparecendo mil vezes mais rápido do que o ritmo natural de extinção. IUCN, 2008 (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais)
XVI Congresso Internacional de Botânica, Saint-Louis, USA, 1999
- 75% dos produtos da indústria pesqueira estão extintos, esgotados ou em risco de extinção. Fonte ONU
- A temperatura média dos últimos 15 anos tem sido a mais alta desde o início de seu registro. NASA GISS data
http://data.giss.nasa.gov/gistemp/graphs/Fig.A.txt
http://data.giss.nasa.gov/gistemp/graphs/Fig.A2.txt
- A calota polar perdeu 40% de sua espessura em 40 anos. NSIDC, National Snow and Ice Data Center (Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo), 2004
- Poderá haver 200 milhões de refugiados do clima em 2050. The Stern Review: the Economics of Climate Change
Part II, Cap. 3, pág. 77
“Os homens aparentam a vida que levam, talvez todos nós aparentemos. Seus rostos e corpos confirmam o trabalho pesado. Todos são esguios, sem um quilinho de gordura a mais. Parecem curtidos pelo sol, de um bronzeado tão profundo, que provavelmente nunca fiquem páldos no inverno. Suas roupas de trabalho são práticas, grosseiras. Eles não se arrumam, apenas se vestem. Portam também uma dignidade natural. Sem dúvida, alguns são espertalhões, insensíveis, cruéis, mas parecem totalmente presentes, abertos, vivos. Faltam dentes a alguns, mas eles riem à vontade, sem constrangimento. Um menino retardado perambula entre eles, sem que cuidem dele e sem que o ignorem.”(sobre as pessoas do campo - no livro SOB O SOL DA TOSCANA)
O trecho fala de algo tão básico na vida e ao mesmo tempo tão fora de uso: naturalidade e simplicidade. O tema me veio à cabeça outro dia no trabalho quando falávamos de Susan Boyle. Depois de assistirmos o vídeo onde ela se apresentava no “Britains Got Talent” e era ridicularizada pelos jurados e público, aparentemente por ser gorda, feia, ter apenas 46 anos e aparentar quase 60, nunca ter casado, não ter namorado e mesmo assim, sorrindo sempre, dizendo-se feliz. O tom de deboche continuou até ela começar a cantar; a voz era sublime, emocionante. De repente todos calaram, pasmos e extasiados. Uma coisa não combinava com a outra. Quem é feio está fadado ao fracasso, quem é feio não pode ser feliz; parecia ser esta a confusa indignação de milhares de pessoas diante da imagem e da voz de Susan Boyle.
Hoje em dia (leia-se final do sec. XX e início deste), muito mais que em outros tempos, estar fora dos padrões ditados pela sociedade é a pior das pragas, principalmente os de beleza e riqueza. Porque naturalidade e simplicidade adquiriram status de errado? Porque vivemos numa louca corrida atrás de uma suposta felicidade que se traduz sempre na posse material e na busca de uma aparência perfeita e artificial?
Uma colega do trabalho ao terminar de ver o vídeo da Susan disse: “nossa! e ela se diz feliz. mas com tão pouco…?”
Qual a medida da felicidade? Muitos de nós crêem ser dinheiro e beleza.
Beleza é fugaz, inevitavelmente ligada à juventude que um dia nos abandonará. A posse material gera mais insatisfação do que prazer, a cada aquisição nos sentimos mais vazios e desejamos consumir mais. O resultado disto tudo é a produção de mais e mais infelicidade à medida que perseguimos seu oposto. Nesta corrida, esquecemos o cultivo diário de nossa espiritualidade, de cuidar do conteúdo da nossa “embalagem”; esquecemos que paz interior não se compra nem está vinculada a uma bela aparência. Vocês podem me achar piegas e previsível, mas a verdade é que relegamos valores simples e tão intrínsecos à nossa natureza em nome de uma corrida vazia e desenfreada rumo à superficialidade.
Resultado?
Uma legião de pessoas “bonitas”, “ricas” e terrivelmente insatisfeitas. Não aquela insatisfação saudável que nos leva ao crescimento, mas aquela doentia e cega que nos tolhe a capacidade de enxergar além das aparências.
Encontrei esta foto outro diaaqui, o que me fez lembrar desta outraaqui. Tudo isto traz de volta a velha pergunta que não quer calar: o que estáacontecendo com os homens?
Mais um domingo na praia e algumas mulheres encontram-se por acaso; idades e ocupações diversas e repete-se a pergunta como num côro. Descobrir a resposta já seria tema de pesquisa científica e não é isto que pretendo agora. O problema é que toda esta situação se intensifica quando colocamos mais um ingrediente no caldeirão: o número de mulheres heteros e solteiras é infinitamente maior que o de homens na mesma condição. Este superavit gera uma carência feminina coletiva, quase uma calamidade pública.
O que fazer? Existem algumas alternativas sendo praticadas, como importação de namorados ou os sites de relacionamento (nem sempre confiáveis) que praticam o livre comércio do “amor ao seu alcance”. A primeira alternativa, mostra-se depois de algum tempo muito onerosa, um amor via ponte aérea que se inviabiliza pela distância/ausência e acaba com os dias contados; já a segunda traz inúmeras frustrações, além da possibilidade de golpes e enganos. Em paralelo, ainda existe toda uma questão comportamental, ou seja, as relações hoje em dia se esbarram na crescente propagação do individualismo que dificulta o envolvimento verdadeiro entre as pessoas. Estamos cada dia mais blindados, mais exigentes, mais auto-centrados e infelizmente, mais carentes. Estamos num beco sem saída, onde entramos por livre e espontânea vontade, mas de onde não conseguimos sair, apesar da urgente necessidade.
E foi divagando sobre tudo isto e andando por aí que descobri dois textos ótimos, um doMarcelo Gleisere outro doInagaki, que tratam de amor, tecnologia e solidão. Uma mistura com cara de ficção científica, mas que diante de um cenário amoroso tão desanimador estampa-se como uma terrível solução – amor e sexo com robôs.
Será que estamos predestinadas à solidão e por conseguinte a forjarmos artificialmente companheiros sob encomenda? Ou será que esta carência/falta a que somos impostas atualmente não seria um aprendizado sobre o verdadeiro sentido de amar?
Esta é a Busycle, toda feita com material reaproveitado. O chassi de uma velha van que teve seu motor substituído por 14 pedais de bicicleta e um sistema complexo de engrenagens. Os assentos são cadeiras de um antigo escritório, um condutor vai ao volante e para fazê-la andar a energia e animação de seus 14 passageiros.
Os idealizadores do projeto - Heather Clark e Matthew Mazzotta, residentes em Boston - dizem que a Busycle não tenta ser uma resposta às questões ecológicas, socio-econômicas, nem tampouco uma antítese tecnológica, o que eles querem mesmo é questionar o sistema. Mostrar como é simples sair do óbvio e criar soluções, ou seja, a Busycle convida as pessoas a literalmente participarem de um pequeno movimento, incita-as a se mexerem, a tomarem atitudes, num exercício completo de corpo e mente.
Dia 20 de setembro foi o Dia Mundial sem Carro. Confesso que esqueci, neste dia viajei de carro.
Lembrando disso comecei a pensar: O que tenho feito pelo planeta? No barato tenho feito coleta seletiva do meu lixo, reaproveitado embalagens, reciclado papel no escritório…
E você o que tem feito? Quase nada? Pouco? Não sabe o que fazer?
A designer Shiu Yuk Yuen anda fazendo a parte dela, criou este guarda-chuva instantâneo. Com estrutura dobrável que cabe no bolso e utiliza como cobertura qualquer material que você tenha à mão: sacos plásticos, folhas de jornais, sacos de papelão, etc. É simples, nós que não estamos habituados a pensar sustentavelmente, acostumados que estamos com a cultura do descartável, do desperdício e do fast food.
O que andamos fazendo além de consumir/descartar, descartar/consumir?
Veja nesse vídeo o que perigosamente anda acontecendo por aí e o que podemos fazer. Se não puderem assistir todo o vídeo, dêem especial atenção ao trecho que começa aos 12 min. no contador.
Quando ouvi esta música e li o poema pela primeira vez (faz tempão) entendi a minha paixão, até então, inexplicável por janelas, e o assombro diante do dilema existencial que o contemplar da imensidão do universo sempre me inspirava.
Ouça, leia…
Leia, ouça…
Deixe-se pasmar por este pulsar infinito e quase mudo.
[ Ah sim, este post contou com a paciente colaboração da Srta. Rosa]
E daí, para que serve mais esta data se não faço nada com ela? Se não páro um minutinho para imaginar pelo menos o que significa meio ambiente. Muita gente quando ouve ‘esse papo’ pensa logo numa floresta com suas árvores e suas feras, excluindo sua vida urbana do conjunto.
Sinto muito, mas a cena não é bem esta. Você, seu carro, o lixo, a poluição, a praia do domingo, seu cachorro, sua comida, sua saúde, o oxigênio, a água, seu cigarro, o dióxido de carbono, o mau-cheiro dos esgotos, o sol, o efeito estufa, a climatização artificial, sua cidade, o rio poluido cortando a avenida, o consumo, a política, a chuva que refresca e alaga, o calor sufocante, a floresta, o vento, as árvores, as flores e os bichinhos estão todos juntos no mesmo pacote… Então, hoje é o dia de pensar pelo menos em você e no seu bem-estar tão dependente deste ‘meio’ que é inteiro se não puder enxergar mais nada diante do nariz.
Pois é, quando cuidamos melhor da qualidade da nossa vida como pessoa e cidadão, de quebra estamos contribuindo para uma melhor qualidade à nossa volta e isto retorna prá nós, numa cadeia incessante, como na lei do eterno retorno. É simples, começar a ser mais responsável na relação com o meio ambiente, que ao contrário do que se pensa, não está dissociado de nós, somos nós. Então, não justifica tanto descuido.
Mês passado, a Market Analysisdivulgou resultado de pesquisa sobre as reações dos brasileiros diante da perspectiva do aquecimento global e mudanças ambientais drásticas, mostrando que estamos divididos entre crença e descrença: 52% acredita que as mudanças no clima não sejam graves, enquanto 46% mostram-se temerários; já quando o assunto é a crença na capacidade de modificar postura pessoal, 40% dos pesquisados se acham capazes de realizar mudanças, mas quando a questão é pesquisada mais a fundo registram-se apenas 16% destes 40 como os efetivamente mobilizados. Ou seja, vivemos um falso clima de engajamento, ouve-se e fala-se demasiado, em contrapartida pratica-se quase nada.
Já pensaram? Pequenas atitudes individuais juntas produzem um mutirão como uma onda que através da convivência, da divulgação boca-em-boca pode mudar o comportamento de muitos que ainda apenas acham que podem fazer alguma coisa.
Faça sua parte!
É preciso por em prática nossa boa vontade. O resultado disto vem a longo prazo, e talvez nem estejamos aqui para ver, mas não importa. Lá adiante, nossos filhos, netos, bisnetos podem ter a chance de viver numa civilização onde o cidadão age em acordo e não contra a natureza, por simples questão de respeito à vida, de sobrevivência.
Acredito que tudo começa nas pequenas ações, isoladas mas persistentes. São coisas simples, que até parecem banais, atitudes sobre as quais já falei muito por aqui, lembram? Se não, olhem aí embaixo.
ouImpossibilidades contra as quais o Amor se choca
O amor vai logo ali adiante, querendo saltar do peito, projetado num rosto na multidão; um discreto vislumbre farto de promessas e cercado de impossibilidades.
Como percebê-lo?
Não bastaria a coincidência de estar no mesmo lugar ao mesmo tempo, talvez o átimo exato tenha sido ou ainda será. Instala-se uma espécie de frustração, algo cortante, o choque contra o fatídico, a crueldade do tempo que inexoravelmente continua sua saga ignorando esforços contrários.
Como alcançar, descobrir indícios d’um caminho revelado em instantâneos, quase invisíveis e roubado implacavelmente pelo corroer incessante das horas?
Mais voltas em torno do sol e de si mesmo, e mais do impossível se mostra, olhares que tentam cruzar-se. Vã tentativa de tatear às cegas na multidão à procura de um mínimo reflexo, uma resposta, uma promessa.
Perde-se um tempo absurdo seguindo pistas que talvez passem ao largo, disfarçadas, sem que nem suspeitemos a verdadeira direção. Caminhos paralelos, desconectados… Bastaria uma leve distração, um olhar perdido noutro sentido, atos sem premeditação, coincidências ou não; uma (pré)disposição ao inesperado, ao que não se vislumbra e que quase roça nossa percepção cansada e cega.
Há uns dias atrás visitando o Incompletudes, lia um post sobre o livro “A gente se acostuma com o fim do mundo” (Martin Page). Ainda não li, não posso criticar nem comentar sobre, mas o título me inspirou.
Acabei de ler o post e fiquei matutando sobre os diversos sentidos implícitos no título do livro.
Vivemos numa sociedade onde pessoas bem vestidas, supostamente cultas e bem educadas andam em seus automóveis último modelo enquanto jogam o lixo pela janela, param sobre a faixa de pedestre ou simplesmente estacionam sobre a calçada; convivem com a miséria e abandono de crianças mendigando em semáforos, de tal forma que não mais sensibilizam-se com seu infortúnio; frequentam restaurantes chiquérrimos e impecavelmente limpos e ao saírem fumando, jogam a bituca displicentemente no chão; vão à praia e no final da tarde retiram-se deixando atrás de si uma enorme quantidade de lixo; pagam propina de toda espécie enquanto criticam políticos corruptos.
Vivemos numa sociedade de valores deteriorados, onde pessoas queimam outras pessoas, que por não terem onde morar, dormem nas ruas; onde jovens assaltantes arrastam uma criança presa a um carro por vários quilômetros, sabendo o que estão fazendo; onde filhos matam pais e pais matam filhos por caprichos bestiais; onde homens espancam e matam mulheres e continuam livres, já que praticaram o ato em legítima defesa da honra; onde um pai mantém em cárcere privado a própria filha, abusando sexualmente dela por vários anos; onde padres, supostamente defensores da moral, aliciam adolescentes sexualmente.
Vivemos numa sociedade onde a capacidade de “acostumar-se” está se tornando algo extremamente perigoso.
“Não seremos capazes de respeitarmos a nós mesmos se não respeitarmos os demais seres vivos” Rosa Montero
Mês passado recebi um mail, uma petição on-line solicitando que a participação de Guillermo Habacuc na Bienal de 2008 seja revista, baseada na polêmica e cruel participação anterior.
Concordo totalmente, a dita instalação na Bienal 2007 foi extrememente cruel e desumana, mas será que todas estas pessoas (inclusive eu) que se indignaram com o fato, preocupam-se também com a realidade dos animais dentro da nossa sociedade?
Todos os dias milhares de animais são torturados, maltratados e mortos em nome da nossa sobrevivência, prazer e bem-estar. E aí, onde estarão todas as petições on-line para defendê-los? Temo que nossos inbox não dariam conta.
Isto tudo me faz pensar no quão curioso e muitas vezes ridículo é o comportamento das pessoas na rede. Será que realmente pensam e preocupam-se seriamente com as bandeiras que levantam? Isto também me recordou a época que rolou na rede o abaixo assinado contra o filme Turistas, na minha opinião uma completa perda de tempo e energia engajar-se numa iniciativa destas. Melhor seria se procurássemos no nosso dia-a-dia sermos cidadãos mais éticos, conscientes e participativos.
Pois é, mas voltando aos animais, todos os dias milhares e milhares são sacrificados como cobaias em pesquisas científicas, testando efeitos de novas drogas que prolongarão a vida humana sobre o planeta, outros milhares são torturados e sacrificados em prol do desenvolvimento da indústria cosmética. Outros tantos vivem alguns meses em condições nada dignas (sem ver a luz do sol, confinados em minúsculos espaços, alimentados com rações entulhadas de antibióticos e hormônios) para ao final do processo nos servirem de alimento. Não que esteja defendendo aqui a alimentação vegetariana, seria muita hipocrisia (ainda como carne, apesar de ter reduzido o consumo), mas nem por isto deixo de ter uma visão crítica sobre o assunto. Cabe a nós consumidores pressionarmos a indústria no sentido de reverem seus métodos de criação. Um exemplo disto é o caso da empresa americana “Smithfield Farms” criadora e produtora de carne suína que remodelou os moldes de criação devido a pressão de consumidores. Além disto tudo, estes métodos de criação têm desencadeado doenças perigosas para o homem, como a da Vaca Louca e a Gripe Aviária.
Temos diversas alternativas, boicotar a carne de frango de granja por exemplo é fácil com a proliferação de alimentos orgânicos. Pressionarmos fabricantes de medicamentos a investirem em técnicas de cultura in vitro de bactérias, células e órgãos. Boicotar empresas do setor de cosméticos que utilizam testes em animais na sua linha de produção; na minha opinião a prática mais cruel de todas, que em nome da estética, algo bastante supérfluo, torturam e matam cruelmente milhares de animais indefesos. Vejam aqui a lista das empresas que não utilizam animais nos testes.
Então fica aqui este alerta, nos dedicarmos a ações efetivas, nos mobilizarmos, entrarmos em contato com o SAC das empresas demonstrando nosso desagrado e informando que deixaremos de consumir produtos que não tenham uma linha de produção ética e de respeito à vida.
Assinar a petição on-line? Tudo bem, mas não se deixe contaminar por este pseudoengajamento, para falar a verdade acho que estas ações acabam sendo muito vazias de conteúdo, visto que são praticadas num momento de euforia virtual. A questão na verdade é muito mais profunda, traz à tona um dos valores mais debatidos atualmente, a ética. Temos o direito de impor sofrimento aos animais apenas visando nosso prazer e bem estar? Para onde se dirige o desenvolvimento humano se não preocupa-se com uma sociedade verdadeiramente igualitária?
“O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser Livre. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”
Podem me chamar de idealista, romântica, sentimentalóide, tola, sonhadora, mas eu creio numa coisa: o Capitalismo rouba a Liberdade das pessoas. Liberdade no seu conceito mais puro e desejado, que traz intrínseco todas as causas e consequências que o estado nos expõe.
Então, aqui e agora, você terá a ‘liberdade’ de achar que estou falando besteira, mas mesmo que discorde de mim, ou até concorde (é mesmo?!), assista este curta e deixe-se conduzir pela lógica simples, que tão inteligente e ironicamente ele expõe, sobre o funcionamento da sociedade de consumo, que em muitos momentos chega a ser tão podre quanto o lixo que produz.
ILHA DAS FLORES – curta metragem Brasil - 1989 – Direção: Jorge Furtado – Elenco: Paulo José (narração) e Ciça Reckziegel (D. Anete).
Criado há 20 anos, mas extremamente atual. Não deixem de assistir, é muito, muito bom!!
Era domingo, o carro parou para ser abastecido, ele sorriu largo ao pedir as chaves e começou a abastecer enquanto eu procurava o cartão para pagamento. Cartão passado, comprovante assinado, carro abastecido, recebo as chaves de suas mãos e o mesmo sorriso franco e feliz, daqueles verdadeiramente espontâneo. E assim, com o semblante de alguém satisfeito, de quem faz o que gosta e tem prazer, ele se despede com um desejo vibrante de bom dia.
Saindo me perguntei: “porque ele está tão feliz, se tivesse que trabalhar num feriadão eu estaria chateada, e se fosse um trabalho assim, ainda pior, tão mecânico e sem criatividade?” E me fui admirando o frentista e sua capacidade de ser feliz com tão pouco. Grifando aqui, que o ‘tão pouco’ é minha observação e pensando que julgamos demais, quando na verdade deveríamos praticar a aceitação que o mundo é plural e que nossa perplexidade diante da estranha (para nós) felicidade do outro, talvez traga implícita o quanto dificultamos a felicidade para nós mesmos.
Escrevendo isto, agora, numa tarde de domingo, sobre a cama, cercada de livros, cadernos e canetas, acompanhada desta descrença que quero expulsar, à espera de uma noite que traz latente uma promessa vaga de felicidade e torcendo para que eu me encontre aberta a ela; enquanto isso leio Clarice: “Não temos sido puros e ingênuos, para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia, possamos dizer ‘pelo menos não fui tolo’ e assim ficarmos perplexos antes de apagar a luz”.
E antes que este texto chegue ao fim e eu me cale, quero dizer que sim, eu desejo ser tola, desejo perceber os meandros onde a felicidade muitas vezes se esconde, auxiliada por nossos olhos que teimam em não vislumbrá-la, ou na verdade simplesmente por pura covardia.
E deixo aqui um desejo: que a gente (eu sobretudo) se liberte desta tola arrogância.
[inspirado num comentário que fiz outro dia neste post no blog do Gustavo Gitti]
Não acredito que um dia repentinamente nos tornemos Mulher. Existe uma mulher dentro de cada uma de nós, desde que nascemos e ela vai brotando, desabrochando, florescendo devagar e sempre…
Brinca de casinha, de boneca, de médico. Rouba as roupas, sapatos, enfeites e batons da mãe e se projeta lúdica, diante do espelho, curiosa, premeditando o futuro.
Se espanta diante das transformações que o tempo vai imprimindo no seu corpo, os pêlos, as protuberâncias, os fluxos. Perplexa diante da descoberta das paixões, do sexo, das próprias contradições; do ritmo confuso dos hormônios que por diversas vezes comandam implacavelmente, noutras os sentimentos à flor da pele que desaguam sem nenhum aviso prévio.
Dores e delícias, ventre sagrado, coração imenso, um campo farto de amores: filiais, fraternos, maternais, românticos… A garra e a sensibilidade sempre juntas, uma força sutil e pujante; a insegurança e o medo convivendo o tempo todo com confiança e força.
Fazemo-nos mulher aos poucos, às vezes lenta, noutras intensa, mas sempre permeada pela imperfeição, esse liame que deseja ser imperceptível, mas que no fundo é a causa mais forte da nossa (in)completude.
É assim, creio, que nos tornamos Mulher, dia após dia.
(foto: Yoyce Tenesson)
[blog-amigas, tem novas indicações na página SELOS, passem lá prá conferir!]
Este é o tabuleiro literário de uma baiana, a Sarah K. Lugar de experimentar com as letras desde abril/2006...... É despedaçado por não se prender a um único sabor. Iguarias diversas, preferindo uma especial, vai logo aí embaixo e escolha. Além dos pedaços de idéias em cada post, tem também esta barra lateral onde você encontrará outras delícias e surpresas. Fique à vontade, mexa em tudo... Prove o sabor deste pedaço!
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