já fui estrela?

Publicado: 07/06/2006 em crônica, ecologia, reciclagem

A palavra da vez é reciclagem. Hoje tudo e todos reciclam-se. É a onda do reaproveitamento, da atualização. Em casa você separa o seu lixo para promover um melhor reaproveitamento de tudo que antes acreditava-se não ter mais utilidade. Não esquecendo nunca a máxima: “nada se perde, tudo se transforma”. E nessa linha de raciocínio, você, parte integrante desta grande sociedade que consome e se consome, vai reciclando-se também. Procurando fazer seu upgrade pessoal você investe em cursos de aprimoramento, um novo corte de cabelo, uma renovada no guarda-roupa, uma viagem a um lugar desconhecido … Neste processo quer estar sempre no topo da cadeia da vida, ou nas suas proximidades, não quer ser devorado, nem descartado como um resíduo. E se eu lhe disser que você é um resíduo?

Você me olhará entre incrédulo e irritado e dirá: “eu sou o homo sapiens, sou o supra-sumo da existência orgânica, represento a evolução da espécie humana no seu estágio mais avançado. Caminhei a duras penas, desde a idade das cavernas, ainda quase um quadrúpede, sobrevivi à bárbarie, floresci na cultura greco-romana, fugi da Inquisição e salvei-me das pestes medievais, me vangloriei com a conquista do Novo Mundo, refinei meu conhecimento no Renascimento, evolui tecnicamente com a Revolução Industrial, sobrevivi às mazelas das guerras mundiais e do Holocausto, presenciei enfim toda a revolução tecnológica e de automação. Sou hoje a encarnação da evolução, modernidade e superação, e você vem me dizer que sou um resto?”Você olha para o céu e depois para você, aperta o botão “reverse” da sua história evolutiva e pensa na escuridão antes das cavernas.
Pensa.

E aí, já parou para pensar na imensidão do universo, na poeira cósmica insignificante que é o nosso planeta? Como tudo começou? Sim, tem a teoria do big bang, o buraco negro, a corrente dos criacionistas, dos evolucionistas. Mas é bem mais simples …
Pense numa estrela, uma longínqua estrela cintilante na imensidão do universo chega ao fim da vida, pára de brilhar, e assim sucessivamente, milhões e milhões de estrelas morrem universo afora. Elas são fonte de carbono e quando morrem liberam grandes quantidades deste elemento essencial aos compostos orgânicos no universo.
Sim! Nós! Nossa vida começa da reciclagem universal que se opera no silêncio e na escuridão. Somos restos mortais de estrelas, somos a reciclagem primordial!
E você aí pensando que era um produto original …

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(Sarah >nov/2005)

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comentários
  1. Barbara Virginia Lucas - Babi - disse:

    amei o teu texto, estamos em plena semana do meio ambiente aqui na empresa, e a reciclagem tem sido trabalhada exaustivamente.
    interessante pensar que nós somos ‘reciclados’… legal…
    Não há nada de ruim nisso, apenas aumenta nossa co-responsabilidade com este universo – agora irmão!
    Beijinho.
    Babi

  2. Fê_Notável disse:

    Oi Sarah! Onde trabalho, acabamos de comemorar a semana do meio ambiente e achei muito interessante o fato de sermos reciclados! Isso já nos fica como exemplo de como ajir com nosso planeta… fiquei mais feliz anida por saber que um dia fomos estrelas… não sei você, mas adoro o céu, e tudo que nele tem! 🙂
    Beijinhos =)

  3. Rocca Stockler disse:

    Salut bébé du clan Brûlant, ardida!!!!

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