uma coisa na cabeça

Publicado: 06/07/2006 em comportamento

Fidelidade

Não é preciso ser muito esperto para deduzir que todos desejam desfrutá-la, já a sua prática é bastante discutível.
A sociedade católica e machista da antiguidade conclamava todos a apedrejarem as mulheres adúlteras, enquanto que para os homens a mesma atitude não resultava em nenhuma crítica ou punição. Para nossa sorte existe uma palavrinha chamada evolução e neste processo chegamos à sociedade contemporânea, que lida de uma forma diferenciada com o assunto, apesar das heranças permanecerem. Os machos ainda se acham no “direito” de trair e não lidam nada bem com o fato quando são vítimas. Enfim, hoje com a emancipação das mulheres, o tabu caiu por terra e estamos todos sujeitos publicamente ao mesmo perigo.
Mas enfim, buscamos segurança dentro de uma relação e, baseada nesta premissa nossa sociedade conseguiu construir um casulo onde a fidelidade é definida como uma obrigação – este casulo é o casamento convencional. Na verdade ao final da cerimônia, quando o padre pronuncia: “até que a morte os separe”, deixa-se a cargo da morte o desfecho de uma relação – uma atitude que eu classificaria como bastante cômoda. E nós, onde entramos com nossa parcela de participação e responsabilidade? Fidelidade, na verdade, deveria ser conseqüência de um relacionamento eficiente e saudável, não uma obrigatoriedade. A mensagem embutida naquela frase do padre é: “você é meu e eu sou sua para todo o sempre, relaxe!”. Deixa-se assim, que uma espécie de lei de propriedade privada domine a cena e gere um falso conforto e segurança, enquanto o cultivo diário de uma relação feliz e bem sucedida é negligenciado. Daí, deste comodismo pré-concebido, nasce a infidelidade, fazendo com que a norma primordial do casamento transforme-se, justamente, na sua pior armadilha.
Então o óbvio acontece: o feitiço acaba virando-se contra o feiticeiro.

E você o que tem a dizer? É só uma coisa que põem na sua cabeça?

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comentários
  1. Rob disse:

    Sara, você trata de “fidelidade” no sentido tradicional de monogamia. Na verdade, um relacionamento pode ser construído de diversas formas – você pode querer (ou poder) compartilhar tudo o tempo todo; ou você pode ter uma relação em que se compartilha o possível.

    Nas relações baseadas na carência, a necessidade da monogamia é tão grande que gera o que eu chamo de corno precoce: o cara que nunca foi traído mas tem certeza de que foi (e está sendo, e vai continuar sendo).

    Para mim, tem muita coisa mais importante que fidelidade: amor, respeito, franqueza, admiração.

  2. Sarah disse:

    Sim Rob … foi proposital.
    Quis enfocar a fidelidade, numa das suas facetas … justamente dentro de um casamento ocidental e tradicional … numa espécie de crítica apenas.

  3. Banda - Inpulse disse:

    Olá Sarah a Fidelidade é em suma o amor transcristo.
    Não adianta andar com rodeios inventar possibilidades ou anunciar como desculpa para os homens (falo por mim)o machismo.
    Tão simples quanto isto quem trai não ama, porquê tanta discussão?
    Para isso existem os divócios enão milhares de filosofias como “recuperar a nossa outra metade”….argh
    Mas como não sou casado sou suspeito………..
    Um abraço Sarah
    Dante
    Inpulse

  4. Loba disse:

    Gostei tanto do comentario do Rob que vou permitir-me fazer minhas as suas palavras. Pq nãoa credito nesta fidelidade baseada numa monogamia compulsória. Acredito em respeito e amor.
    Nãos ei se disse, mas vc escreve muito bem, viu?
    Beijocas

  5. Dira disse:

    Sarinha, acho que quando pensamos na obrigatoriedade da fidelidade, o amor já foi pro espaço. Queria sim que o respeito e o amor fossem supremos e superiores a qualquer coisa. Saudade de tu. Bom te ter por perto. Vejo q conheceu a Lobinha. Q coisa mais que boa…rs
    Vais ver como ela é divina.

  6. Lidiane disse:

    Prefiro a lealdade.
    A verdade.
    Seja ela qual for.
    Relacionamentos baseados em mentiras sempre acabam mal.
    Saber onde a gente pisa é o melhor.

    Beijos.

  7. Ela disse:

    Sarah…
    Parabens pela forma como abrodou o assunto…muito sábia e inteligente…Realmente é facil deixar por conta dakela frase…a certeza de q vamos permanecer fieis ate o fim…isso não deveria ser uma obrigatoriedade…e sim um prazer…
    Um bjo linda!!!

  8. Banda - Inpulse disse:

    Olá Sarah antes demais obrigado pela tua visita.
    Sim somos uma banda Portuguesa que ruma à extinção…..
    O texto anexado à foto fala sobre a visitas e os carregamentos das músicas e o NOSSO OBRIGADO….
    Um abraço
    Dante
    Inpulse

  9. Marco Bueno disse:

    Legal… ainda sou muito novo pra saber se eu sou fiel ou nao, ate pq eu nunca namorei.. mais pois bem, a fideliade entre duas pessoas deve começar a partir do respeito uma com a outra e tb de uma “responsabilidade”uma com a outra. esse é meu ponto de vista..
    bjos.. =*

  10. Künzang Yeshe disse:

    É isso aí. Por isso que acho a LEALDADE um valor nobre a ser buscado, e que muitas vezes é confundido com FIDELIDADE.
    Ser leal significa ter uma dívida com o nosso mais íntimo ser, aquele que está conectado aos outros íntimos seres. “É estar-se preso por vontade, é servir a quem vence o vencedor”.
    Ser fiel é algo cego e tolo, e no mínimo uma convenção social ou um moralismo imposto. É dever ao outro e matar a si mesmo.
    Como você bem disse, fidelidade é CONSEQUENCIA. (E eu acrescentaria: consequencia da Lealdade).
    Podemos ser fieis por fora, nas regras sociais, mas sem lealdade ao Espírito. E da mesma forma podemos ser infiéis (segundo regras temporais e culturais) e permanecermos leais ao nosso Destino…

    Parabéns pelo texto, menina de trança!
    abraço,
    Nelson

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