Rotina

Publicado: 05/11/2007 em comportamento, reflexões

A rotina funciona bem quando a associamos à disciplina, ao ato de organizar a vida e negar o caos. Por outro lado é algo massacrante que nos impõe intermináveis e maçantes repetições diárias, semanais, mensais e por aí vai… Desta forma a vida vai perdendo o dom de ser surpreendente e cada vez mais distancia-se de nós a surpresa que poderia nos esperar ali, numa determinada esquina onde não passaremos já que não faz parte do nosso roteiro cotidiano.

painel-argentina.jpg

É preciso estar atento à limitação que as rotinas incorporadas podem trazer à nossa vida. Segundo a psicoterapeuta Malu Ferreira, a mudança de hábitos desperta os cinco sentidos. Em outras palavras, atos simples como diversificar roteiros ao voltar para casa, dormir do outro lado da cama, trocar o elevador pela escada, interromper o trabalho por alguns minutos e olhar pela janela, tomar banho frio, mudar de lugar à mesa, experimentar sabores desconhecidos, no meio da agitação urbana tirar alguns minutos para fazer contato com o lúdico (contemplar o mar, os tons do por-do-sol, o desenho das nuvens no céu…), deixa a mente mais aguçada e coloca-nos em contato com nossas reais necessidades e insatisfações que ficam aprisionadas no estreito corredor da rotina.
Fugir das auto-recriminações e brincar, isso mesmo! Brincar de criar novas palavras ou escrever as conhecidas de traz prá frente, fechar os olhos e utilizar o tato para desencadear novas sensações, aprender palavras em outros idiomas, repeti-las e ouvir atentamente seu novo som. Enfim, tentar modificar e driblar a rotina exercitando a criatividade.

Agir e reagir sempre de modo programado me fez lembrar agora o personagem autista de Dustin Hoffman em Rain Man, que tornava-se extrememente ansioso e descontrolado quando tinha sua rotina diária modificada.  Fazer tudo sempre igual, acaba nos conduzindo a um comportamento neurótico e compulsivo,  deixa nosso raciocínio lento, limitado e daí para a acomodação e insatisfação é um pulo.

Vamos assumir a nossa real capacidade criativa, driblar a rotina, desprogramar a mente, limpar os condicionamentos e abrir espaço para o novo! Esse é um dos caminhos para nos sentirmos mais felizes. Parece bobagem, mas na verdade é uma grande sacada, apenas é preciso estar atento, descartar o que nos incomoda, experimentar e incorporar novas atitudes que nos trazem mais satisfação.

É isso, desprograme sua mente, invente, renove, surpreenda, abra os olhos para o novo que está aí, agora, do seu lado!

[imagem: arte urbana em Buenos Aires]

Update (errata): no 2º § leia-se “…de trás prá frente…”  (“toque” dado pelo leitor Almost…)

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comentários
  1. Ricardo Rayol disse:

    Eu simplesmente odeio rotinas, credo cruz vade retro satanás.

  2. Claudia disse:

    Todas essas indicações dadas pela psicoterapeuta, além de ajudar na diminuição da rotina, são consideradas atitudes positivas na prevenção contra o Mal de Alzheimer.
    Eu já faço algumas dessas coisas citadas, além de usar o relógio no braço oposto ao q uso, escovar os dentes com a mão oposta, andar de costas pela casa, fazer palavra-cruzada etc… Muito bom!!
    Apesar de ser uma pessoa surpreendente(no sentido de que sempre estou sempre inventando algo de diferente), tenho necessidade da rotina para me centrar.
    Bjo p vc..

  3. elisabetecunha disse:

    Sarah

    Esse texto é a minha cara!

    odeio tudo certinho! ecaaaaaaaaa

  4. Maria Papoila disse:

    Olá Sara!
    Se há coisa que faço os possíveis é “trocar o passo” à rotina… a tal loucura saudável para que ela, a rotina, não nos enlouqueça… Pois é lá no campo há uns miminhos para estas Odeias.
    Beijos

  5. blogdosall disse:

    Muito bom o texto, eu preciso ficar mais atento nesses pequenos detalhes, já percebi que me sinto muito mais vivo quando no final do dia percebo que fiz tudo diferente, saí da rotina, inventei algo que não estava programado…rs, enfim, vivi. Não é rotina, mas já é um ótimo costume…rs, passar sempre por aqui p/ ler algo inteligente. Bj p/ vc e boas vibrações!

  6. Maria Papoila disse:

    Olá Sarah!
    Venho acrescentar que a imagem é fantástica e fazer a errata onde se lê Odeias lei-se Ideias! Prblemas com o teclado 🙂
    Beijos

  7. Lidiane disse:

    Não gosto muito de rotinas, não.
    Infelizmente, de alguma forma, todos vivemos em uma.
    Mas… é isso aí.
    Só espero conseguir sempre ver a cor do cotidiano.

    Beijos, querida.

  8. mariposo-L disse:

    Sabe, eu sou o rei de sair da rotina aqui em casa, mas isto não é tão bom quanto parece. Na minha opinião pessoas que “vivem saindo da rotina” são pessoas criativas, mas o grande problema é que sair da rotina e igual a inovar, o que nem sempre dá certo , isso é o lado ruim … mas por outro lado cada minuto é uma surpresa nova .

    Gostei do texto !

    ! oãçarba mU

  9. Rob disse:

    Eu sempre fui avesso a rotinas, quando garoto achava que rotina era coisa de gente burra. Sempre fiz questão de mudanças, de novidades, principalmente de improvisações. Só que mudo e improviso tanto que às vezes me questiono se esta não é a minha rotina… rs

    Acho que hoje em dia uma das poucas coisas de faço de forma rotineira é tirar a roupa ANTES de entrar no chuveiro. E desligar o celular antes da decolagem.

  10. Marcelo disse:

    Muito bom…adorei me conhecer…faço a maioria das coisas descritas pq detesto a rotina…e mesmo as coisas que tenho que fazer por obrigação …sempre busco um meio de mudar…não consigo viver em rotina…gosto de rotatividade e vida ciclica!

    bjs e bom fds vá testar sua baianidade lá!

  11. A maior merda é quando a gente permite que a preguiça e a acomodação nos impeçam de experimentar algo novo.
    Para alguns, a rotina é segura e confortável. Para mim, é veneno, daqueles que nos fazem secar aos poucos.

  12. Saroca,

    estou contigo! Essa coisa de não driblarmos a rotina é coisa para outras pessoas não para mim…

    Beijooooooooooooooooooos

  13. Lella disse:

    Sara,

    Rotinas… Me fazem lembrar do Nicholson em “Melhor Impossível”. Como também em outro personagem dele, sendo que nesse por ser livre demais, pagou um alto preço… “Um Estranho no Ninho”.

    Mas o momento é de festejos. Deixando:

    Parabéns duplo: Prêmio e Níver!
    Que lhe venha mais insPirações com essa nova jornada…
    Beijo grande,
    —<–<@

  14. Robério disse:

    É verdade….o texto tem tudo a ver com meu rítimo de vida. Sempre em lugares diferentes, novos desafios etc.

    Beijão!

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