ÁGUA – consumo consciente

Publicado: 14/12/2007 em água, ecologia, meio ambiente, reflexões, vídeos

Pegando a deixa do  COP13  que pelo visto não vai chegar a nenhuma definição, trago hoje este relato fictício que descreve a vida sobre o planeta no ano de 2070, em forma de carta supostamente escrita por um homem que era criança nos tempos atuais, exibe um cenário negro e catastrófico num futuro não muito distante, onde viverão nossos filhos e netos.
Muitos céticos a achariam alarmista, exagerada, afirmando que “estamos assustados demais” (!).
Exagero ou não, o fato é que, ao contrário do que os céticos ousam afirmar,  o futuro que se anuncia e que já vivenciamos sob a perspectiva de uma planeta muito mais quente a cada ano é extremamente preocupante.

“Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de 85. Tenho sérios problemas renais por que bebo pouca água. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.

Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era diferente. Havia muitas árvores nos parques. As casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro por aproximadamente uma hora. Agora usamos azeite mineral para limpar a pele. Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, raspamos a cabeça para mantê-la limpa sem água. Antes, meu pai lavava o carro com água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que utilizávamos água dessa forma.

Recordo que havia muitos anúncios que diziam para CUIDAR DA ÁGUA, só que ninguém lhes dava atenção. Pensávamos que água jamais poderia terminar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos, estão irreversivelmente contaminados ou esgotados.Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrintestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam os empregados com água potável em vez de salário. Os assaltos por um bujão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética.

Antes, a quantidade de água indicada como ideal para se beber era oito copos de água por dia, por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo. Tivemos que voltar a usar fossas sépticas como no século passado por que a rede de esgoto não funciona mais por falta de água. A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Com o ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter 40.

Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores, o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos. Como conseqüência, há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações.

O governo até nos cobra pelo ar que respiramos: 137 m³ por dia, por habitante adulto. Quem não pode pagar é retirado das “ZONAS VENTILADAS”, que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar. Não são de boa qualidade, mas se pode respirar.

A idade média é 35 anos. Em alguns países restam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército. A água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mas do que ouro ou diamantes. Aqui não há árvores porque quase nunca chove. E quando chega a ocorrer uma precipitação, é de chuva ácida. As estações do ano foram severamente transformadas pelas provas atômicas e pela poluição das indústrias do século XX.

Advertiam que era preciso cuidar do meio ambiente, mas ninguém fez caso. Quando a minha filha pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo o quão bonito eram os bosques. Lhe falo da chuva e das flores, do agradável que era tomar banho e pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse. O quanto nós éramos saudáveis! Ela pergunta-me:          

-Papai, porque a água acabou?

Então, sinto um nó na garganta! Não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que acabou de destruir o meio ambiente, sem prestar atenção a tantos avisos. Agora, nossos filhos pagam um alto preço… Sinceramente, creio que a vida na Terra já não será possível dentro de muito pouco tempo, porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.

Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreenda isto… Enquanto ainda é possível fazer algo para salvar o nosso planeta Terra.”   (Texto Publicado na revista “Crônicas de Los Tiempos”. Abril de 2002)

A carta é ficção, em compensação o vídeo que segue é extremamente real.
Ainda há tempo, mas o que nos falta compreender?
Que nosso modelo capitalista de sociedade precisa ser revisto? Que os recursos vitais do planeta ainda serão usados por milhares e milhares de pessoas? Que questões ambientais não são modismos?
Este post é um protesto contra visões céticas, como a da Veja (24/outubro), que querem criar a falsa impressão de que mudanças climáticas não estão relacionadas com o efeito estufa, desmatamento, destruição da camada de ozônio, nem com o modelo capitalista de nossa sociedade.
Leia.
Assista.
Reflita.

 

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Na dúvida, se leu os céticos, consulte esses dados também:

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comentários
  1. xane disse:

    EXCELENTE TEXTO E INFORMAÇAO ,SARA K!
    A maioria ainda nao acordoupara a situaçao. Informar,conscentizar,usar este espaço como forma de denúncia,informaçao,de rede de ideias e talvez de açao(basta isso:divulgar,falar jé um agir substancial. Isso cria a conscienca,vontade de mudar;cria a percepçao de melhor escolher os politicos para ocuapar os cargos públicos. Isto nos faz ser seletivos nos gastos:uso dos bens ambientais e de consumo. Saber quais industrias degradam o ambiente e nao NAO comprar seus produtos (isto obrigará que elas se mexam com novas tecnologias menos poluentes!); isto é uma açao politica:se um faz pode ser nada.. mas se muitos fazem é revoluçao de mentalidade.
    Saber nao desperdiçar,nao jogar baterias de celular no lixo comum da casa,mas devove-los as lojas para que elas enviem a as empresas ,industrias e reciclem. Dar ideias para novos usos de objetos reciclaveis…etc…consumidor consciente sabe agir assim no seu dia a dia. Este pequeno ato modificará a vida planetaria!Mas é preciso chamar a atençao e os blogs,as janelas da NET servem bem a este proposito. Divulgarei seu blog no meu blog (essa corrente é de educaçao e força pelas mudanças de mentalidade.)
    Parabens.
    Seu espaço é um espaço inteligente, sensivel as causas humans e feito com muita arte.

  2. LIVIA disse:

    Sarah (conhecendo voce lá da Xane,seu post está mesmo ótimo e graças,ha mais gente se inqueitando com o assunto)
    Esta semana postei essa questao no meu espaço falando justo sobre a agressão ao Planeta. Vou me informando mais e me unindo as pessoas que querem ir divulgando isso seja como denuncia,fotos,docemntarios,artigos,filmes,poemas etc.. Tudo para conscentizar dessa questao perigosa que o mundo vive.Bom te conhecer e estarei aqui mais vezes. Toda informaçao é necessaria e as suas estão pertinentes. Esta é uma quatao que interessa ao MUNDO.
    Por onde ando ,as pessoas sentem os efeitos desastrosos do tempo e ja estao se mobilizando de alguma forma:pela arte ou ação politica..
    Abraço.

  3. LIVIA disse:

    COMPLETANDO
    ESTAREI COLOCANDO TAMBEM O SEU ENDEREÇO NO MEU BLOG.
    ABRAÇO.
    LIVIA

  4. Rob disse:

    O que me incomoda nestes textos, Sara, é a ingenuidade. Note que o texto citado descreve um mundo maravilhoso em 2025 – a maior parte dos ativistas diz que a situação já estará grave neste ano. A Veja faz o maior esforço pra desmentir o IPCC e este cara desmente em uma frase (quando eu tinha 5 anos). Adia para 2070.

    Mais que isso, ele fala de falta de água como se a água fosse se perder – o que vai acontecer, se as previsões estiverem corretas, é que a água vai ficar mais difícil (e portanto mais cara). A limitação de água doce existente hoje vai desaparecer se o custo de dessalinizar a água do mar for menor do que o de purificar a água poluída, e aí a parte significativa da população (a que mora perto do mar) pode ser atendida.

    O problema ambiental é sério mas enquanto a discussão ficar presa a chavões politizados, vai ser impossível haver diálogo entre os apocalípticos e os que tentam melhorar o ambiente sem interesses políticos.

    Qualquer que seja o discurso, existe uma verdade básica: o consumo de água e o consumo de energia (assim como a produção de dióxido de carbono, etc) seguem uma equação simples: consumo = consumo necessário + desperdício.

    Reduzir o desperdício (ou ineficiência) é ótimo, necessário. Usar menos luz, gastar menos água à toa. Não pegar saco plástico no supermercado. Comprar um carro compacto (sem aquecimento… não resisti). Pouca gente percebe que a redução do desperdício é justamente um dos benefícios da industrialização quando comparada ao artesanato de séculos atrás.

    Mas a outra parcela da equação é que é complicada: o “consumo necessário”. Este consumo é simplesmente um valor constante (quanto uma pessoa consome) multiplicado pela população. Se o aumento da população continuar no ritmo atual, controlar o desperdício não vai adiantar.

    Só que esta é uma verdade dura (inconveniente?), e nada adequada para quem quer “salvar o planeta” com medidas paliativas. Al Gore fala disso no filme uma verdade inconveniente, mas passa rapidinho a outros assuntos.

    No fundo, o que a famigerada equação diz é que temos que:
    – ou controlar o crescimento populacional
    – ou desenvolver novas tecnologias que permitam aumentar a disponibilidade de recursos (mas isso tem um limite)

    Outra coisa, o debate não é novo. Os bons escritores de ficção científica dos anos 50 (como Isaac Asimov) já mostravam que para manter o crescimento da espécie humana seria necessário colonizar outros planetas. Na época parecia uma solução prática.

    Aí é que está o x da questão. Nos anos 60 eu já sabia disso e me preocupava. Buscava os argumentos, me dediquei a uma área profissional que tem por foco o aumento da eficiência e a redução de perdas. Aí, 40 anos depois vêm pessoas que acham que o assunto é novo e, porque critico a fraqueza e ingenuidade de seus argumentos, me chamam de cético. Logo eu que acreditava muito antes deles?

  5. Sarah K disse:

    Rob,
    que bom ter vc comentando, apareça sempre!

    Concordo contigo qdo acha que o texto é ingênuo, mas não no sentido do conteúdo e sim pelo tom sentimental que algumas vezes o autor imprime.
    Mas vendo por outro lado ele aborda várias questões importantes que leva as pessoas a refletirem sobre o problema da escassez da água, tais como, proliferação de doenças, problemas de esgotamento sanitário, falta de chuva (secas prolongadas), desestabilização e decadência econõmica… entre outras coisas.
    Particularmente o vejo como uma provocação … fazendo as pessoas pensarem mais seriamente sobre a questão da utilização da água e em adotar uma postura mais consciente ambientalmente.

    😉

  6. Mariposo-L disse:

    Sara , foi muito legal tudo que li aqui o seu post e o comentário do Rob, talvez o ralato fictício, seja só mais uma fase do que está para vir por ai, não sei se da forma que ele escreveu, mas talvez tão péssima quanto . Já o comentario do Rob, concordo com ele em tudo …. sem controle populacional de nada adianta …. Lembra a Frase do do Agente Smith no filme Matrix “Vocês não são mamíferos, pois todo mamífero cria instintivamente um equilíbrio com o meio ambiente… mas os humanos não! Eles se movem para uma área, se multiplicam até todos os recursos se esgotarem e para poder sobreviver, se movem para outra área. Essa atitude é similar à do vírus, fazendo do ser humano uma doença; o câncer do planeta”.
    E por fim ele afirma: “E nos somos a cura!”

    Eu adoro esse monologo … vivo repetindo ele por ai

  7. Ricardo Rayol disse:

    bom, onde há fumaça há fogo e só uma besta quadrada não concordaria que temos que arrumar as coisas.

  8. Claudia disse:

    Com certeza, Sarah…
    As pessoas só querem enxergar o que lhes parece conveniente, bonito, bom.
    Digo querem, porque é sim uma questão de escolha. E só o positivo parece que é real.
    Sou casada, como já te disse, com um engenheiro civil e também ambiental xiita nessa questão da água e entendo sua preocupação. Além de tudo ese post mostra inteligência de sua parte, porque fica claro que enxergou a verdade e não o conveniente.
    Bjo gde p vc.

    P.S. Sarinha
    Eu já participo da HSUS e do Peta e milito na causa animal faz um tempão… Sempre recebo newsletters sobre esse tipo de atrocidade, mas só repasso para as pessoas que conheço e tb coloca p frente a luta, pq se não, fico parecendo essas chatas(?) q enchem o saco com uma causa.
    Fiquei feliz de saber q vc tb faz parte da minha tribo.
    Se quiser, mando p vc sempre q puder algum material e vc ficará sabendo toda a verdade.

    Bjo.

  9. Mendes disse:

    Sara K,
    Mais uma vez lhe vejo empunhando bandeiras mais do que urgentes, não importando se são causas novas ou debatidas há longo tempo – não esqueçamos que se o assunto volta a tona é porque ainda não foi resolvido e empunhar a bandeira faz com que as questões sejam debatidas mais uma vez ou quantas sejam necessárias.

    O mal do Homem é o egoísmo, é não saber viver (e conviver) em comunidade. Acredito que as próximas gerações pagarão o preço por “nossa” ganância, por vivermos o agora, por não nos preocuparmos com o amanhã.

    Continue assim. De punho e queixo erguido.

  10. van disse:

    Acfretido que no futuro(havendo um…)a saída será com robos governando os humanos.Do jeito que está é só um buraco negro que vejo. Mas nao custa desejar pra gente o melhor.natal nas portas:mais uma vez.A mensagem é simples e legal:amai-vos!mas…como isto é dificil pra humanidade! Mito ou não,a ideia,o argumento,o discuros,a crença na fraternidade ainda vale(nao foi totalmente testada.,entao…Nao pela data(já li isso por aí em muitos blogs)a data nao convece pelo excesso,mas vale pelo espirito que fica pouco luminoso e muito quieto.Boas festas e um bom ano novo.abraço

  11. Marcelo disse:

    Hum susto esse texto…alto para refletir do baixo e de perto…costumo dizer que sobreviveria sem comida mais tempo do que sem água e sem ar…são vitais pra mim….excelente organização de ideias…Parabéns!

    bjs

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