Prazeres questionáveis

Publicado: 18/05/2008 em cidadania, comportamento, cotidiano, reflexões, sustentável
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“Não seremos capazes de respeitarmos a nós mesmos se não respeitarmos os demais seres vivos”  Rosa Montero

Mês passado recebi um mail, uma petição on-line solicitando que a participação de Guillermo Habacuc na Bienal de 2008 seja revista, baseada na polêmica e cruel participação anterior.

Concordo totalmente, a dita instalação na Bienal 2007 foi extrememente cruel e desumana, mas será que todas estas pessoas (inclusive eu) que se indignaram com o fato, preocupam-se também com a realidade dos animais dentro da nossa sociedade?
Todos os dias milhares de animais são torturados, maltratados e mortos em nome da nossa sobrevivência, prazer e bem-estar. E aí, onde estarão todas as petições on-line para defendê-los? Temo que nossos inbox não dariam conta.

Isto tudo me faz pensar no quão curioso e muitas vezes ridículo é o comportamento das pessoas na rede. Será que realmente pensam e preocupam-se seriamente com as bandeiras que levantam? Isto também me recordou a época que rolou na rede o abaixo assinado contra o filme Turistas, na minha opinião uma completa perda de tempo e energia engajar-se numa iniciativa destas. Melhor seria se procurássemos no nosso dia-a-dia sermos cidadãos mais éticos, conscientes e participativos. 

Pois é, mas voltando aos animais, todos os dias milhares e milhares são sacrificados como cobaias em pesquisas científicas, testando efeitos de novas drogas que prolongarão a vida humana sobre o planeta, outros milhares são torturados e sacrificados em prol do desenvolvimento da indústria cosmética.
Outros tantos vivem alguns meses em condições nada dignas (sem ver a luz do sol, confinados em minúsculos espaços, alimentados com rações entulhadas de antibióticos e hormônios) para ao final do processo nos servirem de alimento. Não que esteja defendendo aqui a alimentação vegetariana, seria muita hipocrisia (ainda como carne, apesar de ter reduzido o consumo), mas nem por isto deixo de ter uma visão crítica sobre o assunto. Cabe a nós consumidores pressionarmos a indústria no sentido de reverem seus métodos de criação. Um exemplo disto é o caso da empresa americana “Smithfield Farms” criadora e produtora de carne suína que remodelou os moldes de criação devido a pressão de consumidores. Além disto tudo, estes métodos de criação têm desencadeado doenças perigosas para o homem, como a da Vaca Louca e a Gripe Aviária.

Temos diversas alternativas, boicotar a carne de frango de granja por exemplo é fácil com a proliferação de alimentos orgânicos. Pressionarmos fabricantes de medicamentos a investirem em técnicas de cultura in vitro de bactérias, células e órgãos. Boicotar empresas do setor de cosméticos que utilizam testes em animais na sua linha de produção; na minha opinião a prática mais cruel de todas, que em nome da estética, algo bastante supérfluo, torturam e matam cruelmente milhares de animais indefesos. Vejam aqui a lista das empresas que não utilizam animais nos testes.

Então fica aqui este alerta, nos dedicarmos a ações efetivas, nos mobilizarmos, entrarmos em contato com o SAC das empresas demonstrando nosso desagrado e informando que deixaremos de consumir produtos que não tenham uma linha de produção ética e de respeito à vida.

Assinar a petição on-line? Tudo bem, mas não se deixe contaminar por este pseudoengajamento, para falar a verdade acho que estas ações acabam sendo muito vazias de conteúdo, visto que são praticadas num momento de euforia virtual. A questão na verdade é muito mais profunda, traz à tona um dos valores mais debatidos atualmente, a ética. Temos o direito de impor sofrimento aos animais apenas visando nosso prazer e bem estar? Para onde se dirige o desenvolvimento humano se não preocupa-se com uma sociedade verdadeiramente igualitária?

Mais sobre o assunto leia AQUI

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comentários
  1. sonia.regly disse:

    Excelente post, assino embaixo.Devemos nos preocupar com coisas que constrói, causas justa, e não besterol. Obrigada pela visita, amei, viu??? Volte outras vezes, fico muito feliz.Vou linkar seu Blog.

  2. LELLA disse:

    Sara!

    Sobre o tal artista que deixava um cão amarrado foi um golpe de publicidade. O que ele fez foi um ato político.

    À entrada da exposição havia uma frase na parede («Eres lo que lees») escrita com biscoitos para cães. Junto à mesma parede, a um canto, preso por uma corda e um fio de arame, Habacuc colocara um cão vadio apanhado em Manágua. O cão apresentava sinais de mal nutrição e doença – um pobre animal entre milhares de outros que deambulam nas ruas da cidade. Os visitantes contemplavam toda esta cena enquanto ouviam o hino sandinista tocado ao contrário.
    Parte da ‘culpa’ (alguns poderão chamar-lhe ‘autoria’) é do próprio Habacuc, que fez questão de criar um ‘acontecimento’ e manteve uma cautelosa ambiguidade até ao fim.
    A intenção da exposição, explicou ele, foi a de «constatar a hipocrisia alheia: um animal torna-se o foco de atenção quando o coloco num local onde as pessoas esperam ver arte, mas não quando está no meio da rua, morto de fome».

    Texto na íntegra:
    http://bitaites.org/cromos/tu-es-o-que-les-habacuc-tem-razao

    O cara foi um artista 😀

  3. Sarah K disse:

    Questiono este tipo de arte Lella …
    na minha opinião uma insensibilidade enorme do artista. Como questionar a hipocrisia alheia se não tem-se sequer respeito pela vida
    😦

  4. Mariposo-L disse:

    Vamos protestar então, eu tenho medo até dar a descarga em uma bienal, pois vai saber se não é uma instalação.
    Mas sobre esses animais sacrificados tenho muito dó e pena fico triste com essa situação.
    Isso me lembrou o filme Legalmente Loira, lembra que ela foi trabalhar no congresso americano para proibir o uso de animais em fabricas de cosméticos ???

  5. Lidiane disse:

    O cachorrinho na Bienal pra mim foi aberração.
    Faça meu boicote silencioso, Sarinha.
    Sempre.
    Não compro em um monte de lojas, nem alguns produtos, não como carne de espécie alguma, faço de tudo pra não comprar nada com couro, testado em animais, etc.
    Mas disso, só eu sei. É a minha forma de viver bem com o mundo e comigo.

    Beijos e que bom que voltou.

  6. Dani(ela) disse:

    ai meu Deus!

    acabei de chegar da yoga: meu professor não mata nem uma formiga. ele está lá imóvel e a bichinha passeando por cima dele. mas daí, vc vai me perguntar o que tem uma coisa a ver com a outra?

    EU mato barata, formiga(protejo lagartixas e outros não asquerosos e inofensivos), como todo tipo de carne e participo pouco de petições on line.

    bjo rsss

  7. Lucas disse:

    Ah! voltou né? Enfim, é bom estar de volta. Nos lemos por aí. Ops! “Nos vemos”, aliás…

    Valeu a visita.
    Volte sempre, sempre terá algo oco pra ler.

    Lucas.

  8. elisabetecunha disse:

    Sara

    Concordo inteiramente com vc !!!

    beijinho!

  9. marcelo disse:

    Concordo em alguns pontos, noutros não! – as vezes eu acho o engajamento virtual meio “fiz a minha parte e vou dormir tranquilo”, principalmente, no Brasil – os brasileiros ( kkk viu que eu deixei de sê-lo?)falam muito e ação que é boa necas de pitibiribas…ao contrario dos nossos irmanitos argentinos que protestam mesmo! – procuro escolher sempre as coisas pela responsabilidade social, não aquela marqueteira que ninguem sabe o que realmente faz + sim aquela que sei das boas ações…isto me fez escolher como celular o Motorola por ter o cuidado com a reciclagem de suas baterias…enfim tenho que estudar coisas sobre produtos éticos para um trabalho e aqui achei boa munição…como sempre…á frente do tempo e da mesmice!

    Bjs

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