Perigosamente insensíveis

Publicado: 21/05/2008 em cidadania, comportamento, cotidiano, reflexões
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Há uns dias atrás visitando o Incompletudes, lia um post sobre o livro “A gente se acostuma com o fim do mundo” (Martin Page). Ainda não li, não posso criticar nem comentar sobre, mas o título me inspirou.
Acabei de ler o post e fiquei matutando sobre os diversos sentidos implícitos no título do livro.

Vivemos numa sociedade onde pessoas bem vestidas, supostamente cultas e bem educadas andam em seus automóveis último modelo enquanto jogam o lixo pela janela, param sobre a faixa de pedestre ou simplesmente estacionam sobre a calçada; convivem com a miséria e abandono de crianças mendigando em semáforos,  de tal forma que não mais sensibilizam-se com seu infortúnio; frequentam restaurantes chiquérrimos e impecavelmente limpos e ao saírem fumando, jogam a bituca displicentemente no chão; vão à praia e no final da tarde retiram-se deixando atrás de si uma enorme quantidade de lixo; pagam propina de toda espécie enquanto criticam políticos corruptos.

Vivemos numa sociedade de valores deteriorados, onde pessoas queimam outras pessoas, que por não terem onde morar, dormem nas ruas; onde jovens assaltantes arrastam uma criança presa a um carro por vários quilômetros, sabendo o que estão fazendo; onde filhos matam pais e pais matam filhos por caprichos bestiais; onde homens espancam e matam mulheres e continuam livres, já que praticaram o ato em legítima defesa da honra; onde um pai mantém em cárcere privado a própria filha, abusando sexualmente dela por vários anos; onde padres, supostamente defensores da moral, aliciam adolescentes sexualmente.

Vivemos numa sociedade onde a capacidade de “acostumar-se” está se tornando algo extremamente perigoso.

(imagem: escultura de Mariele Neudecker)

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comentários
  1. Celine disse:

    Construimos uma sociedade extremamente perigosa. E temos medo de nossas criações.

  2. Srta. Rosa disse:

    O cara é bom em títulos de livro. O anterior chama-se “Como me tornei estúpido”. Também fiquei curiosa, por ambos. Se ler, me conte.
    Voltei das férias!

    Bezzos, querida,

  3. Dani(ela) disse:

    o perigo, é perdermos a indignação Sarah. sem ela, realmente o fim vai chegando sem percebermos.

    *nas escolas, por exemplo, piro com comportamentos classificados como ‘normais’ por pedagogos e psicólogos aos adolescente, porque assim os são. não me acostumo, fico indignada, sou sensível ao que fere a moral.

    é o que a Celine aí em cima falou: estamos construindo uma sociedade extremamente perigosa.

  4. Mel disse:

    Sarah, as pessoas vão se acostumando e incorporando para si essas atitudes… Uma pena.
    E quantos que leram esse post podem se colocar numa posição solícita, mas no fundo, agem da mesma forma.
    Essas são as lições que não aprendemos em sala de aula, e se os professores da vida não forem bons, mais pessoas agirão insensivelmente.
    Beijos,
    Mel

  5. Insensíveis e auto-centrados. É assim que estamos ficando…

  6. A gente se acostuma com tudo nessa vida, Saroca. Animais adaptativos que somos, acostumamos a destruir…
    Como dizia Schopenhauer: “Para permanecermos vivos, temos de matar algo ou alguém”.

    Triste realidade.

    Beijooooooooooooos

  7. Edson Marques disse:

    Nesse aspecto (e em muitos outros), mais do que mudar, devemos fazer com que as coisas mudem!

    Abraços, flores, estrelas..

  8. Mariposo-L disse:

    Sara, falou e disse tudo, brigo comigo mesmo o tempo todo pois não quero achar normal tudo isso, não quero me acostumar com isso . Mas também posso te falar que tenho certeza que quem vive como eu se sente muito mal com o novo tempo …. tudo que eu aprendi até agora está indo para o ralo …

    bjs

  9. Lidiane disse:

    Sara, os valores estão invertidos.
    Às vezes não acredito no que ouço e vejo.
    Mas, aprendi uma coisa, que a gente só consegue mudar o mundo quando muda nossa vida.
    Começar de dentro, né?
    E já é tão árduo…

    Beijinho com carinho pra você.

  10. sergio guida disse:

    Bom esse BLOG!
    Sinto falta disso…gente que pensa, a construção da crítica, a autocrítica.
    Parabéns!

  11. sarah k disse:

    oi SERGIO!
    obrigada …. e aparaça qdo quiser, ótimo ter visitas como as tuas.
    😉

    LIVIA deixou este comentário no post superior, que reporduzo aqui … quem quiser ler é ótimo:

    “No segundo texto:nossa grande tarefa e/ou trabalho é educar a nós mesmos.Nao basta o ornato,a aparência da boa figura,é preciso a consciência da Boa Educação como forma de nos mantermos civilizados no comportamento seja ele qual for.Mas…aprendemos(numa inversão perversa de valor)qyu o falso brilhante tem o mesmo valor do verdaeiro!Entao fingi-se ser…Nada mais irritante que madame deixando cachorrinho defecar nas calçadas!Motorista colocar carros na calçada;pedestre atravessar fora da faixa;jogar papel no chão com a lixeira perto;e tantos outros atos deseducados.Pequenos atos educado revela o que somos?sim.Nos recusando a ser mal educado,isto nos leva a não sermos adeptos do jeitinho,do suborno,do egoísmo.O brasileiro é um povo mal educado,gosta de ser esperto(confunde isso com sabedoria!).Reinventar o brasileiro?basta melhorar a educação com exemplos .Certa vez na Suíça,ouvi um brasieliro(turista)levar bronca de uma senhora que correu atrás dele de guarda chuva porque ele havia jogado papel de bala no chão. E disse que ele respeitasse a sua CASA,pois ele era um hóspede ali. O brasileiro deveria aprender a cuidar de suas coisas e valorizar o que é de todos. O bem público é um bem e patrimônio comum.Mas brasileiro não sabe o que é isso!).Um povo se educa,não é? Beijão querida.”

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