AMARCORD

Publicado: 05/09/2009 em cinema
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Cinema é a recriação da vida de uma forma simples, porém espetacular; lhe emprestando nova dimensão através de uma tela gigante.
Num retângulo branco, como numa folha de papel onde se escreveria uma estória, projeções de luz a imprimem por meio de cores, sons, luzes e imagens que lentamente vão recriando a vida e seduzindo milhares de olhares que brilham diante desta encadernação animada. Assim cores ganham outra vida capaz de imprimir as mais diversas e inesperadas sensações através da fotografia, onde os visuais recriam e inovam perspectivas. Os gestos em close aumentam a dramaticidade, a luz ou sua falta empresta calma ou tensão aos nossos nervos. A trilha sonora complementa, invocando no nosso inconsciente memórias e associações que vão enriquecendo a estória com nossa experiência pessoal…

 

 Ah, de repente estamos também na tela! O tempo ganha inusitado formato e pode ser aleatório, retroativo, veloz, embaralhado; assim nos sentimos um pouco deuses, capazes de manipulá-lo ao nosso bel prazer.
Enfim, somos tragados por uma espécie de mundo paralelo e durante algumas horas somos conduzidos por uma embarcação que percorrerá um caminho carregado de emoções inquietantes, instigantes, surpreedentes.
Fantástico então quando ele nos coloca diante do “novo”. Escrever esta frase agora, me fez lembrar “Cinema Paradiso”, mas não é daquela criança que quero falar. Isto me aconteceu ao conhecer Fellini, até o final de minha adolescência eu só conhecia o cinema americano… Pasmem!

 

Numa noite longíqua, perdida no tempo, fui devidamente apresentada a uma capa de VHS (alguém se lembra disto, rs?) onde se lia AMARCORD – até hoje me lembro as formas sinuosas daquelas letras, das figuras estranhas e pouco belas da capa (minha visão da época) – e convidada para uma sessão caseira de um novo cinema.
A falta da enorme tela branca não foi percebida nesta estréia, as emoções desencadeadas pelo filme substituíram-na. Realmente o significado deste nome – AMARCORD: eu me recordo – não poderia ser mais propício para este post.

 

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comentários
  1. Vivi disse:

    O título Amarcord é uma referência à tradução fonética das palavras “mi recordo” usada na região de Emilia-Romagna, na Itália, onde o diretor nasceu. E embora Felline negue as evidências, eu continuo acreditando que se tratou de um filme auto-biográfico.
    E você tê-lo lembrado aqui, não poderia oferecer-nos presente melhor.

    ótimo post,
    Beijos

  2. Bill disse:

    Que belo…
    Filme simplesmente perfeito, Fellini mágico da 7ª arte…
    Algumas coisas são eternas e o talento dele é uma dessas coisas.

    Espeor que estejas melhor…

    Cuide-se

    :**

  3. unzuhause disse:

    Affffff, que texto maravilhoso. Vontade que dá de sair correndo pra mais uma sessão de cinema, e viver a magia que vc tão bem soube traduzir aqui. Amo Fellini, foi um dos hierofantes do meu encontro com esses mistérios de Elêusis modernos: o cinema ! beijos 😉

  4. w.Moscolini disse:

    Ótima indicação a sua…
    Existe um livro dele, também muito bom!!!
    La Bella Dona

  5. Caramba… tentei lembrar quando vi Amacord e não me lembrei!!! Foi no século passado, com certeza! rsrs
    Ótimo texto, Sarah. Lembrar Fellini é sempre bom.
    Um beijão.

  6. Sall disse:

    Olá,moça! Não passo por aqui há muito tempo, mas cada vez apareço preciso ficar horas lendo tudo…rs. Muitos bons texto, opiniões e dicas. Parabéns pelo blog!
    Bj e tudo de bom!

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