Arquivo da categoria ‘cidadania’

O renomado artista plástico alemão HA Schult, conhecido por seus “trash men” em instalações que sempre abordam o tema descarte de lixo, denunciando a forma irresponsável como nossa sociedade vivencia o assunto,  foi convidado pela marca de cerveja mexicana Corona para participar de uma ação inusitada na comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente de 2010 (este sábado, 5 de junho).

Para tal foi criado o “Save the Beach Hotel”, totalmente construído com lixo deixado pelas pessoas nas praias européias (reflitam!). O material usado na construção, é quase todo proveniente de lixo, exceto algumas peças estruturais e de decoração; pneus velhos, manequins mutilados, restos de brinquedos, calotas enferrujadas, latas amassadas, roupas rasgadas, enfim tudo que vocês possam imaginar que pessoas deixem no mar ou na areia. A construção ficará montada entre os dias 3 a 7 de junho numa praça em Roma. O hotel tem 2 pavimentos e capacidade para abrigar 10 pessoas com todo conforto. Todos os quartos já foram reservados para os 4 dias. Para incrementar a campanha, a modelo Helena Christensen (Dinamarca) passará uma noite no hotel. A campanha está sendo lançada estrategicamente nas vespéras do verão euroupeu para sensibilizar o público.

Olha só o que dá prá construir com o lixo deixado por aí, principalmente nas praias. Pensaram? Fico chateada, aqui em Salvador, quando vou à praia num domingão… As pessoas no geral não estão nem aí, como dizem, estão bebendo Johnny Walker com Activia. Passam o dia inteiro na praia e vão embora no final na maior naturalidade deixando o local onde estavam instalados repleto de garrafas e copos plásticos, embalagens de lanches, pratinhos de isopor… um verdadeiro chiqueiro, e assim se repete pela praia toda praticamente. Estas mesmas pessoas se dizem bem educadas, cultas e blá blá blá… imagine se fosse o contrário.

Uma iniciativa desta deveria ser copiada pelo mundo inteiro, principalmente em países tropicais com cultura forte de praia. É preciso dar um choque nas pessoas, mostrar a imensa quantidade de lixo que elas deixam nas areias. As companhias de cerveja, como Skol, Schincariol e outras deveriam patrocinar  instalações utilizando lixo reciclado em praias aqui pelo Brasil, tipo construir umas barracas de praia feitas com lixo deixado por banhistas.  O Brasil tem uma costa quilométrica, dá prá se fazer muita coisa. Seriam campanhas alertando a população e ao mesmo tempo distribuindo material educativo com o público praieiro. Já seria um bom começo prá tentar educar essa gente.
E olha que nem falei do que vem pelo mar através dos esgotos que trazem o lixo das ruas… Enfim, é uma quastão bem mais complicada.

um quarto do hotel

[ Clique na foto para ver álbum com algumas fotos da Campanha ]

[ Vejam o site da campanha AQUI ]

Uma coletânea de campanhas criadas por ONG’s abordando a maioria dos problemas que afetam a sociedade contemporânea, como pobreza, fome, produção de lixo, alterações climáticas, violência contra mulher, pedofilia, violência no trânsito, direitos humanos, bulimia…
Um alerta impressionante  que nos toca profundamente através de imagens impactantes combinadas a textos objetivos. Muito bom!

[ para ver em tela cheia, na barra inferior do vídeo, clique em “Menu” e escolha “View Fullscreen”, e no final aperte a tecla “Esc” para voltar ao Blog]

Nas minhas andanças pelo Facebook, descobri algo que quero compartilhar com vocês.
O interessante é que esta notícia veio justamente num momento em que observava a desmontagem dos camarotes do carnaval de Salvador.
Todos os dias pela manhã, correndo na orla, pude constatar que enormes quantidades de lixo que poderiam ser coletados seletivamente e reciclados (latinhas metálicas, embalagens de bebidas, garrafas plásticas, caixas de papelão, restos de decoração) são simplesmente largados logo abaixo do piso dos camarotes durante a festa, e apenas na ocasião da desmontagem são amontoados na via pública e só depois retirados pela coleta comum. Uma clara demonstração do quanto a realidade destas mega festas privadas, que alardeiam excesso de luxo e conforto não guardam o menor comprometimento com o desenvolvimento sustentável de nossa cidade.
Observando aquela amontoeira de lixo, conclui-se o quanto esse modelo de carnaval vai na contra-mão das inovações socialmente positivas.

Mas voltando, vamos falar do link que vi no Facebook. Uma outra ocorrência lamentável relativa à nossa festa momesca. Nas proximidades do Farol da Barra, foi encontrado por ativistas do Global Garbage uma enorme quantidade de lixo submerso – em trono de 1500 latinhas metálicas, garrafas plásticas, restos de abadás, etc.
Vale ressaltar que assim como este, vários outros trechos submersos que por ventura ainda não foram descobertos, podem estar também abarrotados de lixo.

O grupo tentou sensibilizar emissoras de TV através de contato telefônico e e-mails com imagens do local, mas não obtiveram êxito algum. O ocorrido não deve interessar a quem enriquece com a máquina do carnaval baiano.
Enquanto a tendência mundial é a sustentabilidade, não por moda mas por pura urgência e necessidade, nosso carnaval segue na contra-mão do desenvolvimento, patrocinado pelo poder público, estrelas do axé e veículos de comunicação. Um retrocesso. É preciso repensar a forma como o carnaval é planejado e efetivado.

É por estas e outras que acho que já passou da hora do carnaval sair do trecho Barra/Ondina ou qualquer outro bairro residencial. O impacto negativo sobre a qualidade de vida dos moradores é muito forte. Porque não criar um Axezódromo? O local? Poderia ser na Cidade Baixa, na região do Comércio. Uma região com vocação francamente empresarial, com população flutuante e ativa apenas em dias úteis e durante o dia, configura-se em local perfeito para implantação de uma festa deste tipo e porte.
Aliada a estas mudanças, a criação de políticas sustentáveis, inclusivas e socialmente justas modelariam o estilo mais contemporâneo do carnaval soteropolitano: consciente e antenado com as tendências mundiais de sustentabilidade.

Carnaval é bom, mas melhor ainda com responsabilidade social.

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UPDATE:
O jornal da Record exibiu ontem (10/março) matéria com imagens do lixo e sua retirada do local. As imagens são impressionantes. Cadê a TV Bahia nessa hora?

Fonte: Global Garbage

homem_de_rua

Uma amiga me trouxe outro dia um jornalzinho chamado “Aurora da Rua“, que ela comprou na praça da Piedade (aqui em Salvador) e  me pediu para divulgar.
Fui pesquisar e descobri no
site do jornal uma breve explicação sobre seu objetivo: “No mês de março de 2007, nos seus 458 anos, Salvador recebeu um presente especial: Aurora da Rua”, um jornal de rua que pretende tornar visível e audível, a face e a voz daqueles que muitas vezes são pouco vistos e pouco ouvidos na sociedade… Com uma tiragem de 10.000 exemplares, a publicação é vendida exclusivamente por pessoas em situação de rua. Além de servir de fonte de renda, o periódico pretende ajudar também no processo de reinserção social dos vendedores.”

Para nós, ditos cidadãos de bem, moradores de rua aparentam inicialmente um perigo potencial (o que não deixa de ser), haja visto a violência urbana que somos obrigados a conviver diariamente. Apavorados e revoltados esquecemos o lado humano destas pessoas, que geralmente são crianças e adolescentes abandonados,  além de adultos e idosos miseráveis; e que estão nas ruas por causas diversas como: abandono e/ou falta da família, situação econômica, desemprego, desajuste social e psicológico; enfim pela total perda das relações humanas e não apenas por “vagabundagem” como os mais céticos costumam afirmar.

Esquecemos que estes mesmos moradores, em alguns casos, também são vítimas de violência tão assustadora ou pior a que estamos expostos, a violência física e moral, por diversas causas, como preconceito, desinformação, mas principalmente por descaso do poder público que não investe em políticas de inclusão para esta população; não falo de abrigos públicos nem de esmolas, mas do resgate da dignidade básica com acesso a alimentação, saúde, moradia e trabalho, levando-se em consideração que uma parcela destas pessoas almeja sair da situação marginal que se encontram.

A sociedade isoladamente, através de ONG’s e grupos assistenciais, faz sua parte tentando resgatar a dignidade destas pessoas, disponibilizando alimentação, roupas, apoio emocional e em alguns casos, atividade remunerada, além do engajamento na inclusão social.
Este é o caso do jornal “Aurora da Rua”, associação que tem sede aqui em Salvador. Os vendedores são moradores de rua, que credenciados pela entidade,  devem obedecer um código de conduta. Após credenciamento, vendem os exemplares e obtém a remuneração de 75% do seu valor.

Apartir daí muitos horizontes se abrem, podem cadastrar-se para outros serviços, como em cooperativas de lixo reciclável e  receberem assitência médica através da “Associação Damien do Brasil“, representante de uma ONG Belga que trabalha com controle de doenças mais comuns entre moradores de rua, como tuberculose e hanseníase.

Enfim, o engajamento pretende estender-se em várias vertentes (saúde, moradia, trabalho e educação, assistência social e lazer), ações que já são sugeridas pela população de rua. A participação da sociedade atuando diretamente ou simplesmente pela conscientização mostra-se necessária. Acessem o Site do Jornal para maiores informações e ampliar o olhar, reduzindo o preconceito em relação a esta fatia da sociedade. Vamos enxergar esta questão sob uma perspectiva mais real?

agua

Juro que no dia 22, domingo, eu queria ter vindo aqui escrever, mas fiquei sentada diante da água, embora salgada, mergulhando, ingerindo líquidos que tinham água em sua composição, apesar de ser mais etílica; e mais tarde, usando a água para atividades menos mundanas me lembrei de fechar a torneira quando não a estava utilizando.

E você, o que fez? Espero que não tenha desperdiçado muita água…

É verdade que 1/6 da população mundial já sofre pela inexistência de água potável no seu cotidiano e as previsões continuam desanimadoras mostrando que em breve (2030 – são só mais 20 anos) mais de 1/3 da população mundial perderá acesso franco a esse indispensável bem natural.

Você sabia que se 20.000.000 de pessoas fechassem a torneira toda vez que escovam os dentes ou ensaboam-se no banho seria economizado um volume de água correspondente a 9 minutos ininterruptos das cataratas do Iguaçu? Pensou??

Semana passada eu soube de uma notícia como tantas outras que sabemos todos os dias, mas que me deixou boquiaberta diante do paradoxo.
No Ceará, exatamente no sertão, nas cercanias do município de Nova Jaguaribara, passa um canal de água doce, o Canal da Integração (olha só o nome!). O canal leva a água do Açude Castanhão até Fortaleza com o objetivo de irrigar plantações de frutas tipo exportação e abastecer a região metropolitana e a zona portuária. Tudo perfeito se não fosse um detalhe: durante o percurso, este canal corta uns 15 municípios onde vivem sertanejos sem nenhuma infra-estrutura hídrica, não possuem água encanada e muito menos podem acessar o canal para retirar um pouco de água. Porque não? O governo do Estado, para imperdir o desvio desta água, que passa pela porta dos sertanejos, criou um forte esquema de segurança com guardas motorizados e armados 24 horas, vigiando toda a extenão do canal, além de um circuito de vídeo com câmeras que monitoram toda a área. Todo este aparato ainda conta com o auxílio da polícia militar, numa verdadeira operação de guerra. Enquanto isto os sertanejos, que não tem água em casa, nem para beber, mas que a veem passar todos os dias pela sua porta, se quiserem ter acesso a esta fonte tem de agir como ladrões.

Pois é… Isto tudo me fez traçar um paralelo. O Brasil detém grande parte do manancial de água doce do planeta. Mundo afora, tem quem defenda que a Amazônia é território mundial. Será que num futuro não muito distante entraremos, como os sertanejos do Ceará, numa guerra por esta água?

Enquanto isso jogamos lixo nas ruas mesmo sabendo para onde ele vai, deixamos litros de água limpa literalmente escorrendo pelo ralo e tratamos do assunto com a despreocupação peculiar de quem aprendeu com a cultura do desperdício e da alienação. 

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Esta é a Busycle, toda feita com material reaproveitado. O chassi de uma velha van que teve seu motor substituído por 14 pedais de bicicleta e um sistema complexo de engrenagens. Os assentos são cadeiras de um antigo escritório, um condutor vai ao volante e para fazê-la andar a energia e animação de seus 14 passageiros.

Os idealizadores do projeto – Heather Clark e Matthew Mazzotta, residentes em Boston – dizem que a Busycle não tenta ser uma resposta às questões ecológicas, socio-econômicas, nem tampouco uma antítese tecnológica, o que eles querem mesmo é questionar o sistema. Mostrar como é simples sair do óbvio e criar soluções, ou seja, a Busycle convida as pessoas a literalmente participarem de um pequeno movimento, incita-as a se mexerem, a tomarem atitudes, num exercício completo de corpo e mente.

E você, vai ficar aí parado??!

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( fonte: BlueBus )

Num concurso com mais de 1400 fotos inscritas, esta foto foi a vencedora. Trata-se da disputa pelo título de “Fotógrafo Ambientalista do Ano” promovido em Londres por uma instituição que cuida do gerenciamento de recursos ambientais. As fotos vencedoras foram expostas no Mil End Arts Pavillion, em Londres, de 17 de setembro até 11 de outubro de 2008.

O vencedor foi o indiano Abhijit Nandi, especialista em portraits, diz que sua foto quis passar a mensagem da relação ancestral entre a mãe Terra e seus filhos. Foi feita num vilarejo no leste da Índia: uma mulher retornando para casa após um dia de trabalho no campo, onde ajuda o marido numa plantação ao mesmo tempo que cuida dos filhos.
O que mais me chamou atenção na foto foi o tom verde predominante, se foi mera coincidência (falo isso porque nestes tempos de photoshop interferências sempre são possíveis), tornou o instantâneo a expressão perfeita para o tema proposto no concurso.

Um evento que além de fomentar o trabalho artístico com enfoque no meio ambiente traz o diferencial da preocupação ambiental refletindo sobre pobreza, ecologia, produção de lixo, desigualdade social, poluição, direitos humanos, aquecimento global e biodiversidade.

Aproveite e reflita também contemplando algumas das fotos premiadas. Descrições das fotos você vê AQUI  (clique para ver ampliada):
  
  

[ fotos DAQUI ]