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Waterloo é aqui!

(imagem capturada durante a Alvorada nos festejos de Yemanjá em Salvador – clique para ampliar)

[ foto: Sarah K ]

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“Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá…”

(Eu já fui…)

“…O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou…”

(…e dei rosas vermelhas. E você?)

Iemanjá é festejada em muitos locais aqui em Salvador; na Ribeira, em Plataforma, na península de Humaitá, na Gameleira e na ilha de Itaparica. Mas a grande festa fica por conta do Rio Vermelho, nas proximidades da igreja de Santana, precisamente na casa de Iemanjá, todos os anos milhares de devotos e curiosos formam imensas filas para depositar seus presentes nos balaios dispostos pela comunidade de pescadores e pelos seus filhos e filhas de santo, que mais tarde descem à praia seguindo em barcos para oferecer seus presentes e fazer suas obrigações em alto mar.

UPDATE (depois dos festejos profanos): Enquanto isso, pelas ruas do Rio Vermelho ferve a festa regada por muitas latinhas de cerveja, feijoada na casa dos amigos e pela folia dos blocos animados por bandinhas e mini-trios.
A festa de Iemanjá é uma resistência, ou melhor, uma resposta original a este carnaval comercial vendido em todo Brasil pelo Axé, Pagode e cia. É a verdadeira festa do povo que brinca pelas ruas, livre dos famigerados camarotes e dos blocos protegidos por ‘cordeiros‘ famintos e mal pagos. É a espontânea representatividade do verdadeiro significado do Carnaval. 

[ foto: Sarah K ]

MOINHO esnoba, mas a gente gosta desse seu ‘jeitim’ baiano, inspirado em Cartola quando outrora disse que “o mundo é um moinho”.

Axé aqui nem pensar (vade retro!). Estão na estrada desde 2005, meio samba, meio rock, meio afropop. Hiper dancante com um repertório de forte tendência baiana, no melhor estilo – Caymmi, Gil, Brown, Riachão, Moraes Moreira, Márcio Mello… mas também tem Nando Reis, Martin’ália, Chacal.

O primeiro cd já foi lançado, as músicas bombando na rede prá fazer download, no embalo d’um hit em trilha sonora global.

Melhor escutar, curte aí… Esnoba

… e prá quem não sabe, essa música é do Márcio Mello.

[ Este post foi linkado AQUI ]

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A cidade, às vesperas do seu aniversário de 459 anos vai mal, obrigada. Carente de políticas públicas eficientes que acompanhem o ritmo acelerado de crescimento urbano causado pela especulação imobiliária e embalado pelo incrível aquecimento do mercado da construção civil em quase todo país nos últimos anos.
A malha viária da cidade é deficiente, contando com investimentos quase inexistentes,  assim como o sistema de transporte de massa que vive até hoje a novela-sem-fim do famigerado metrô, aliado a tudo isto a administração pública vivencia crises sucessivas numa demonstração clara de comprometimento com interesses privados.

O texto que segue foi retirado do site Bahia Notícias, na seção “Francamente”, onde leitores podem deixar depoimentos e comentários; uma crítica que a maioria pensante desta cidade gostaria de expressar, a exemplo do desabafo de Caetano Veloso em entrevista ao jornal A Tarde.

“AÇÕES DESASTRADAS DA SECRETÁRIA KÁTIA CARMELO  
 03/03/2008  15:19:41 

A Bela que é Fera. A sra. Kátia Carmelo, de passagem por esta vida terrena vai deixando sua triste marca. Pra começo de conversa permitiu a derrubada da Mansão Wildberg, atropelando o IPHAN e a população de Salvador para atender à especulação imobiliária. Recentemente o episódio da votação do PDDU deixou o povo pensante com a pulga atrás da orelha com aquela conversa toda que rolou em restaurantes finos da cidade. Verdade ou mentira, o fato é que o plano passou e a nódoa ficou. Todos os envolvidos negam, até eu que não estava lá. Mas, o fato marcante foi o seu poder de fogo e autoridade quando submeteu o presidente da câmara de vereadores ao vexame de aceitar uma intromissão nunca vista nos canais da casa, deixando que pessoas alheias aos trabalhos da câmara ocupassem salas para comandar uma votação. Como que um presidente de uma casa legislativa se permite a esse tratamento? Fraqueza ou outros interesses? Mais adiante, seguindo sua sanha demolidora, a sra. Kátia Carmelo voltou sua fúria para os terrenos públicos ocupados por entidades religiosas. Enlouquecida pela legalidade, autorizou a profanação de um templo religioso no Imbuí e destruiu seus símbolos mais sagrados. Sintomático é que essa fúria só funcione com os terreiros de candomblé. Essa mesma fúria “legalista” também deveria ser usada para desalojar comerciantes, empresários, pastores, padres e grilheiros que ocupam terrenos públicos. Se não houvesse histeria e intolerância, poderia propor um convênio para o Terreiro continuar sendo ocupando, como o Aeroclube. Tratamentos desiguais para uma mesma lei de ocupação do solo. A secretária se esqueceu que tem obrigações constitucionais de ter essa mesma “eficiência” em cumprir a lei sem descriminação e distinção. Sua obrigação é defender realmente os interesses da população e não o da especulação. Depois de tanta estripulia por onde passou e passa, de qual lado vocês acham que a sra. Kátia está? De quebra o prefeito sai mais uma vez arranhado no episódio com a população afro descendente e os adeptos e simpatizantes do culto do candomblé, que é uma religião e merece todo o nosso respeito. Axé, Amém e Aleluia! Vade retro Satanás! Batam três vezes na madeira!
(autor: Aurélio Laborda Neto)”

Após incidente com o terreiro Oyá Onipon, entidades ligadas a movimentos negros exigem a exoneração da secretária Kátia Carmelo que acumula dois cargos (superintedente da Sucom e secretária de planejamento – Seplam), enquanto isto o prefeito João Henrique tenta manobra para mantê-la em um dos cargos.
Leiam mais detalhes desta saga AQUI.

A notícia mais recente (A Tarde de hoje) é que o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) entrou com ação contra o PDDU, o novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano da cidade, que gerou bastante polêmica e desagrado em vários setores (já em outros, nem tanto, se é que me entendem).

Noite dessas, uma turma fazia um luau lá na praia do Buracão (aqui no Rio Vermelho) e simplesmente, sem que ninguém esperasse, apareceu Carlinhos Brown (que mora numa casa bem na beirinha da praia) para participar fazendo percussão.
Que luxo, eu pensei… Uma noite desta não tem preço! E lembrei-me de um artigo que li certa vez na ‘Vida Simples’ sobre os sentidos do luxo.

O que é luxo, o que chamamos de chique? Geralmente associamos esses conceitos à riqueza material, sucesso, elegância, glaumour, artefatos de grife; ao prazer e à felicidade de vivenciar situações ou possuir coisas vinculadas a estes conceitos. Entretanto no momento que abstraimos estes significados materiais e despertamos nossos sentidos para pequenos acontecimentos que fazem toda a diferença, que nos causam relaxamento, bem-estar e surpresa, que capturam nossos sentidos conduzindo-os ao mundo incrível do lúdico, percebemos o sentido mais amplo desta palavrinha.

Outro exemplo disso foi esta cena:  manhã, hora do rush. Enquanto uma multidão de pessoas entra e sai de uma estação de metrô, um homem chega calmamente, e próximo a uma cesta de lixo encosta-se à parede, retira um violino da mochila, começa a tocar. A multidão que passa por ali praticamente o ignora, uma única pessoa se dirige a ele, encantada com o ‘clima’ criado, e outras poucas lhe deixam moedas ou param para assistir. Nesse contexto, o músico toca por quase uma hora.

Veja! [o vídeo é curto e acelerado em alguns momentos]

O músico pedinte, na verdade, é um dos mais renomados violinistas do mundo – Joshua Bell. Naquela manhã ele executou, com seu Stradivarius avaliado em mais de 3 milhões de dólares, a mesma sinfonia que havia tocado no Symphony Hall de Boston semanas antes, só que na ocasião a entrada não era franca. Para assisti-lo, assim tocando seu violino, que nem naquela manhã no metrô, bastava pagar a ‘módica’ quantia de U$ 100,00. O Symphony Hall lotou!

Perceber o luxo nas pequenas coisas, na simplicidade é um exercício de libertação. Libertação do stress, da rotina massacrante, do desencantamento, da escravização que a mídia nos impõe ao consumo cego.

Abrir os olhos para o “verdadeiro”.
O verdadeiro significado dos raros e preciosos momentos de genuíno prazer que algumas vezes, no correr apressado das horas, despontam mascarados à nossa frente. A real sensação de felicidade e prazer não custa quase nada, basta estar ATENTO, assim como aquela única pessoa que se dirigiu ao músico pedinte lá na estação do metrô.

[Sobre este episódio leia  AQUI]

** Dizem que Joshua ficou muito decepcionado de não ter sido reconhecido… Já aqui, os baianos muito calorosos, deram as boas vindas a Brown e tendo a lua como testemunha tiveram uma noite puro luxo. **

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Existe uma praia em Salvador pouco conhecida da maioria da população, é a praia Anita Costa, mais conhecida como Praia do Buracão. Um pedaço de paraíso incrustado dentro da área urbana. Como o próprio nome diz, localiza-se numa grande depressão na orla do Rio Vermelho, estrategicamente escondida pela natureza, guarda uma beleza selvagem delineada por marcantes rochedos que ora se escondem, ora afloram da areia ao sabor das estações. No seu entorno alguns edifícios e residências de classe média completam a paisagem. Pela sua localização particularizada acaba sendo frequentada quase que exclusivamente por moradores do bairro e redondezas, possui apenas uma barraca de praia e um público cativo, engajado na sua preservação e limpeza. Efetivamente é uma das poucas praias urbanas que ainda podem ser frequentadas pela população.

Este vídeo registra uma denúncia: os moradores e frequentadores da área lutam contra a continuidade da construção de um empreendimento que fere as Leis federais de uso e ocupação do solo, acaba com um dos acessos à praia tentando privatizá-la, além de prejudicar a ventilação no entorno. O empreendimento foi licenciado pela Prefeitura Municipal mesmo ferindo a Legislação Federal que proíbe construções dentro da faixa de Marinha (60m após a linha de preamar). A associação dos moradores conseguiu uma liminar na Justiça Federal que paralisa as obras, mas é necessário que a população pressione para que o embargo realmente se concretize.

[ Veja notícia sobre o caso ]