Posts com Tag ‘paixão’

FusÃo

Publicado: 04/07/2008 em eróticas, imagéticas, poesia
Tags:, , , ,

.

tocar-me

não precisas

inundada em mel

derreto docemente

olhando tuas pupilas

dilatadas

pretas e encantadas

fixadas em mim

.

(foto:  Robin Derrick)

Anúncios

Enquanto a Arquitetura contemporânea premedita o futuro em Dubai, por aqui, crio um clima saudosista, trazendo de volta dois exemplares emblemáticos da Arquitetura Moderna. Certa vez falei aqui da Casa de Vidro da Lina Bo Bardi, projetada em 1950.
Hoje, inspirada neste artigo que é um dos mais visitados do blog, resolvi falar de mais duas casas.

.

  • CASA DAS CANOAS

Projetada por Niemeyer em 1951 para própria moradia, é considerada um dos marcos da arquitetura moderna brasileira. Localiza-se no Rio de Janeiro, no bairro de São Conrado, atualmente está aberta à visitação pública.
Sua forma completamente orgânica e adaptada ao entorno traduz-se pela transparência e formas delgadas do seu partido que estabelece um diálogo constante com o exterior. A orientação adotada cria uma grande área sombreada que propositadadamente evitou o uso de cortinas nas áreas envidraçadas, permitindo assim que a mata “penetrasse” na casa sem trazer o desconforto da incidência direta do sol. A implantação foi planejada objetivando a menor interferência possível na topografia natural do terreno, de forma que as rochas que afloram do solo fossem aproveitadas na ambientação, ora adentrando, ora saindo da casa.
[Mais imagens
AQUI]

.

  • CASA FARNSWORTH ou Casa de Vidro

Considerada um ícone da arquitetura moderna, foi projetada pelo brilhante arquiteto alemão Mies Van der Rohe, um dos principais mentores do Modernismo, partidário do minimalismo, tinha como premissa o bordão “Less is more“. Projeto contratado em 1946 pela médica americana Edith Farnsworth, de quem leva o nome . Localiza-se nos arredores de Chicago e foi idealizada para ser uma casa de fim de semana. Para além da arquitetura, a história da criação desta casa é recheada por fofocas duma suposta paixão mal resolvida entre arquiteto e cliente, que mais que um projeto, resultou num processo judicial entre as partes. O tempero amor x ódio parece ter sido a inspiração de um dos projetos mais emblemáticos do modernismo que inspirou mundo afora milhares de casas de vidro.
A casa que praticamente flutua, seguindo a tendência minimalista de Mies, é composta por duas placas de concreto – piso e teto – sustentadas por oito delgados pilares de aço, com todo fechamento externo composto por placas de vidro e internamente constituída por um único vão cujas únicas divisões são a parede de apoio aos armários da cozinha e as do sanitário, criando integração total com o exterior, apelo contemplativo extremamente necessário numa casa concebida para o lazer.
[Mais imagens AQUI
]

.

A genialidade destes dois projetos, concebidos há mais de meio século, traduz-se na contemporaneidade do conceito: amplos vãos contínuos destituídos de divisão, usos integrados, limpeza das formas, além do fascinante imediato e completo contato com o exterior proporcionado pelas generosas cortinas de vidro.

Na casa de Niemeyer (ao meu ver mais contemporânea que a do Mies), houve maior preocupação com a questão ambiental, evitando desperdício energético e favorecendo a climatização natural na criação das grandes áreas sombreadas, enquanto comenta-se que a proprietária da casa de Chicago queixava-se muito do alto consumo de energia causado pelo uso de aquecedores.

.