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Waterloo é aqui!

(imagem capturada durante a Alvorada nos festejos de Yemanjá em Salvador – clique para ampliar)

[ foto: Sarah K ]

Noite dessas, uma turma fazia um luau lá na praia do Buracão (aqui no Rio Vermelho) e simplesmente, sem que ninguém esperasse, apareceu Carlinhos Brown (que mora numa casa bem na beirinha da praia) para participar fazendo percussão.
Que luxo, eu pensei… Uma noite desta não tem preço! E lembrei-me de um artigo que li certa vez na ‘Vida Simples’ sobre os sentidos do luxo.

O que é luxo, o que chamamos de chique? Geralmente associamos esses conceitos à riqueza material, sucesso, elegância, glaumour, artefatos de grife; ao prazer e à felicidade de vivenciar situações ou possuir coisas vinculadas a estes conceitos. Entretanto no momento que abstraimos estes significados materiais e despertamos nossos sentidos para pequenos acontecimentos que fazem toda a diferença, que nos causam relaxamento, bem-estar e surpresa, que capturam nossos sentidos conduzindo-os ao mundo incrível do lúdico, percebemos o sentido mais amplo desta palavrinha.

Outro exemplo disso foi esta cena:  manhã, hora do rush. Enquanto uma multidão de pessoas entra e sai de uma estação de metrô, um homem chega calmamente, e próximo a uma cesta de lixo encosta-se à parede, retira um violino da mochila, começa a tocar. A multidão que passa por ali praticamente o ignora, uma única pessoa se dirige a ele, encantada com o ‘clima’ criado, e outras poucas lhe deixam moedas ou param para assistir. Nesse contexto, o músico toca por quase uma hora.

Veja! [o vídeo é curto e acelerado em alguns momentos]

O músico pedinte, na verdade, é um dos mais renomados violinistas do mundo – Joshua Bell. Naquela manhã ele executou, com seu Stradivarius avaliado em mais de 3 milhões de dólares, a mesma sinfonia que havia tocado no Symphony Hall de Boston semanas antes, só que na ocasião a entrada não era franca. Para assisti-lo, assim tocando seu violino, que nem naquela manhã no metrô, bastava pagar a ‘módica’ quantia de U$ 100,00. O Symphony Hall lotou!

Perceber o luxo nas pequenas coisas, na simplicidade é um exercício de libertação. Libertação do stress, da rotina massacrante, do desencantamento, da escravização que a mídia nos impõe ao consumo cego.

Abrir os olhos para o “verdadeiro”.
O verdadeiro significado dos raros e preciosos momentos de genuíno prazer que algumas vezes, no correr apressado das horas, despontam mascarados à nossa frente. A real sensação de felicidade e prazer não custa quase nada, basta estar ATENTO, assim como aquela única pessoa que se dirigiu ao músico pedinte lá na estação do metrô.

[Sobre este episódio leia  AQUI]

** Dizem que Joshua ficou muito decepcionado de não ter sido reconhecido… Já aqui, os baianos muito calorosos, deram as boas vindas a Brown e tendo a lua como testemunha tiveram uma noite puro luxo. **

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Existe uma praia em Salvador pouco conhecida da maioria da população, é a praia Anita Costa, mais conhecida como Praia do Buracão. Um pedaço de paraíso incrustado dentro da área urbana. Como o próprio nome diz, localiza-se numa grande depressão na orla do Rio Vermelho, estrategicamente escondida pela natureza, guarda uma beleza selvagem delineada por marcantes rochedos que ora se escondem, ora afloram da areia ao sabor das estações. No seu entorno alguns edifícios e residências de classe média completam a paisagem. Pela sua localização particularizada acaba sendo frequentada quase que exclusivamente por moradores do bairro e redondezas, possui apenas uma barraca de praia e um público cativo, engajado na sua preservação e limpeza. Efetivamente é uma das poucas praias urbanas que ainda podem ser frequentadas pela população.

Este vídeo registra uma denúncia: os moradores e frequentadores da área lutam contra a continuidade da construção de um empreendimento que fere as Leis federais de uso e ocupação do solo, acaba com um dos acessos à praia tentando privatizá-la, além de prejudicar a ventilação no entorno. O empreendimento foi licenciado pela Prefeitura Municipal mesmo ferindo a Legislação Federal que proíbe construções dentro da faixa de Marinha (60m após a linha de preamar). A associação dos moradores conseguiu uma liminar na Justiça Federal que paralisa as obras, mas é necessário que a população pressione para que o embargo realmente se concretize.

[ Veja notícia sobre o caso ]