Eu acho que vi um gatinho…
Maio 12, 2008
Gente, sei que ando sumida, que estou em falta com alguns memes. Vão me desculpando por favor, é que as 24 horas do dia têm sido poucas.
Enquanto não volto com força total divirtam-se no salão de beleza … E olha que eu nem gosto tanto (de salão, ok!?). [risos]
Ilha Das Flores
Abril 27, 2008
“O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser Livre. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”
Podem me chamar de idealista, romântica, sentimentalóide, tola, sonhadora, mas eu creio numa coisa: o Capitalismo rouba a Liberdade das pessoas. Liberdade no seu conceito mais puro e desejado, que traz intrínseco todas as causas e consequências que o estado nos expõe.
Então, aqui e agora, você terá a ‘liberdade’ de achar que estou falando besteira, mas mesmo que discorde de mim, ou até concorde (é mesmo?!), assista este curta e deixe-se conduzir pela lógica simples, que tão inteligente e ironicamente ele expõe, sobre o funcionamento da sociedade de consumo, que em muitos momentos chega a ser tão podre quanto o lixo que produz.
ILHA DAS FLORES - curta metragem
Brasil - 1989 - Direção: Jorge Furtado - Elenco: Paulo José (narração) e Ciça Reckziegel (D. Anete).
Criado há 20 anos, mas extremamente atual. Não deixem de assistir, é muito, muito bom!!
O cu não é o Problema
Abril 23, 2008

Calma, calma… Não se assuste (ou se anime, rs), este não é um post pornográfico!
E não faça cara feia, anh… Sorria, você está sendo filmado! [brincadeira prá relaxar após ler este título, rs]
Outro dia vi esta imagem no blog de um amigo e não contive uma gargalhada.
Eu não usaria este argumento, afinal os homens homossexuais gostam do mesmo que nós mulheres heteros e a palavra não é exatamente cu (sem acento, please), é uma palavrinha com tres, quatro ou cinco letras, começando com “P” e levando ainda outros singelos apelidos, rs.
No entanto eles gostam com outra atitude, de uma perspectiva diferente e portanto não os vejo como nossos adversários. São homens que interessam-se por outros homens reciprocamente e esta prerrogativa já os elimina do rol de nossos relacionamentos. Não se tem notícia que algum que optou por esta preferência tenha voltado para o lado de cá (o das mulheres heterossexuais) e se acaso voltasse me causaria desconfiança.
Enfim, mesmo que me desagradem as estatísticas, por outro lado me sinto aliviada que a cada dia eles declarem e pratiquem mais aberta e livremente suas preferências sexuais. Não me agradaria uma relação com um daqueles que ainda não teve a coragem suficiente de sair do armário.
Então, de forma bem simplista me pergunto, se é ‘bom’ ou ‘ruim’, para nós mulheres, que tantos homens optem pela homossexualidade? Poderia impulsivamente dizer que é ‘ruim’, mas estendendo um olhar crítico adiante, nas reformulações dos conceitos de relacionamento, percebo que vivenciamos uma transição, um momento de revolução e redefinição de hábitos e comportamentos ligados a sexualidade, e infelizmente concluo que nos cabe esperar, não passivamente, mas de forma reflexiva, atenta, adaptando-nos de alguma forma; mas por outro lado observo um movimento, daí vocês me perguntam “Qual?“, e eu digo que não sei se é impressão minha, mas o número de homens heteros (comparando com alguns anos atrás) tem escasseado bastante, enquanto uma “multidão” (exagerando um pouco, rs) de homens gays desfila por aí noite e dia.
Qual a solução?
Eu também me pergunto sempre meninas, pensando que com certeza não é a que a figura do post supõe.
Alguém aí tem alguma?
[ Em tempo: eu simplesmente ADORO meus amigos gays (nada contra), são divertidíssimos, alto astral... e a causa disto, segundo afirma meu amigo Lázaro R (que é hetero), é aquela palavrinha mágica que começa com "P" ... é, aquela mesma do começo do post, rs! ]
( foto capturada daqui )
FELICIDADE, o que é isto?
Abril 21, 2008

Era domingo, o carro parou para ser abastecido, ele sorriu largo ao pedir as chaves e começou a abastecer enquanto eu procurava o cartão para pagamento. Cartão passado, comprovante assinado, carro abastecido, recebo as chaves de suas mãos e o mesmo sorriso franco e feliz, daqueles verdadeiramente espontâneo. E assim, com o semblante de alguém satisfeito, de quem faz o que gosta e tem prazer, ele se despede com um desejo vibrante de bom dia.
Saindo me perguntei: “porque ele está tão feliz, se tivesse que trabalhar num feriadão eu estaria chateada, e se fosse um trabalho assim, ainda pior, tão mecânico e sem criatividade?” E me fui admirando o frentista e sua capacidade de ser feliz com tão pouco. Grifando aqui, que o ‘tão pouco’ é minha observação e pensando que julgamos demais, quando na verdade deveríamos praticar a aceitação que o mundo é plural e que nossa perplexidade diante da estranha (para nós) felicidade do outro, talvez traga implícita o quanto dificultamos a felicidade para nós mesmos.
Escrevendo isto, agora, numa tarde de domingo, sobre a cama, cercada de livros, cadernos e canetas, acompanhada desta descrença que quero expulsar, à espera de uma noite que traz latente uma promessa vaga de felicidade e torcendo para que eu me encontre aberta a ela; enquanto isso leio Clarice: “Não temos sido puros e ingênuos, para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia, possamos dizer ‘pelo menos não fui tolo’ e assim ficarmos perplexos antes de apagar a luz”.
E antes que este texto chegue ao fim e eu me cale, quero dizer que sim, eu desejo ser tola, desejo perceber os meandros onde a felicidade muitas vezes se esconde, auxiliada por nossos olhos que teimam em não vislumbrá-la, ou na verdade simplesmente por pura covardia.
E deixo aqui um desejo: que a gente (eu sobretudo) se liberte desta tola arrogância.
(imagem: arteemfoto)
2 anos e 1 Gato
Abril 18, 2008
Como vocês podem ver aí do lado, na barra lateral, tem um gatinho que trouxe o bolo para comemorar o niver do **idéias**. Tudo bem, eu até gostei, mas o que eu queria mesmo era um outro gato fazendo a festa.
Aí vocês me perguntam “que gato Sarah?” e eu digo “o marido da Angelina, pode!?”
Tá bom, tá bom, é um pouquinho difícil, mas como sonhar ainda é totalmente free, inclusive de impostos, deixo aqui meu desejo, antecipando a comemoração do niver do blog que será neste domingo, dia 20.
Confesso inclusive que estou um tanto esperançosa, pois acabei de descobrir uma antiga ocupação do gato em questão. Brad, quando estudante da universidade de Missouri, com mais seis colegas integravam um grupo intitulado “Dancing Bares“, animava festas de garotas que completavam 21 anos, dançando para a aniversariante, completamente nu, apenas com um travesseiro cobrindo o rosto. Que festa chata né?
Bem… se aqui e agora ele não quiser tirar a roupa (de repente ‘la Jolie’ fica enciumada), não tem problema, num look assim já me satisfaz!
Chears!!

[ fonte e foto: Blog da Bárbara ]
[ trilha sonora da festa: Fernanda Takai... curta o novo cd aí no iPod na barra lateral ]
Mistério feminino
Abril 14, 2008
[inspirado num comentário que fiz outro dia neste post no blog do Gustavo Gitti]
Não acredito que um dia repentinamente nos tornemos Mulher.
Existe uma mulher dentro de cada uma de nós, desde que nascemos e ela vai brotando, desabrochando, florescendo devagar e sempre…
Brinca de casinha, de boneca, de médico. Rouba as roupas, sapatos, enfeites e batons da mãe e se projeta lúdica, diante do espelho, curiosa, premeditando o futuro.
Se espanta diante das transformações que o tempo vai imprimindo no seu corpo, os pêlos, as protuberâncias, os fluxos. Perplexa diante da descoberta das paixões, do sexo, das próprias contradições; do ritmo confuso dos hormônios que por diversas vezes comandam implacavelmente, noutras os sentimentos à flor da pele que desaguam sem nenhum aviso prévio.
Dores e delícias, ventre sagrado, coração imenso, um campo farto de amores: filiais, fraternos, maternais, românticos… A garra e a sensibilidade sempre juntas, uma força sutil e pujante; a insegurança e o medo convivendo o tempo todo com confiança e força.
Fazemo-nos mulher aos poucos, às vezes lenta, noutras intensa, mas sempre permeada pela imperfeição, esse liame que deseja ser imperceptível, mas que no fundo é a causa mais forte da nossa (in)completude.
É assim, creio, que nos tornamos Mulher, dia após dia.
(foto: Yoyce Tenesson)
[blog-amigas, tem novas indicações na página SELOS, passem lá prá conferir!]
Bloqueio ao WordPress no Brasil
Abril 11, 2008
Vocês estão sabendo desta notícia? Uma decisão no mínimo arbitrária.
O texto abaixo foi retirado na íntegra do blog de Celso Bessa que, além de divulgar a notícia e analisar o fato sob um prisma que concordo totalmente, redigiu ontem [10/04/2008] carta à WordPress solicitando intervenção.
Vejam!
“À Matt Mullenweg e toda a equipe WordPress/Automattic.
Sou um wordpresser no Brasil, e escrevo esta carta para pedir que se intrometam numa questão séria para a nossa blogosfera, que recebeu uma notícia ruim e assustadora hoje, logo de manhã:
Todo o wordpress.com pode ser bloqueado por causa de uma decisão de um juiz que é uma ameaça potencial para a liberdade de expressão e avanços sociais e técnicos em nossa sociedade.
Abaixo, eu faço uma tradução livre da notícia, e em seguida, meus comentários e preocupações
Mas os brasileiros podem ficar sem acesso aos blogs do WordPress
08:32 . Usuarios brasileiros podem ter acesso bloqueado ao portal de blogs WordPress por conta de uma decisao da 31a Vara Civel de Sao Paulo. A Justiça determinou o embargo de um blog hospedado no portal. Mas de acordo com a Abranet - Associaçao Brasileira de Provedores de Internet, nao é possivel impedir o acesso a apenas um blog - o bloqueio atigiria todos os blogs hospedados em wordpress.com. Segundo noticia da Folha Online, a Associaçao informou a decisao judicial aos provedores e encaminhou ao Juiz um documento relatando a questao tecnica que a determinaçao envolve. A Abranet pede que a Justiça brasileira solicite o embargo diretamente ao WordPress. Ainda de acordo com a Folha, o nome do blog nao foi revelado - o processo corre em segredo de Justiça (!). 10/04 Blue Bus
Em janeiro de 2007, uma decisão judicial que pretendia bloquear o acesso ao video de Daniella Cicarelli namorando na praia levou à restriçao das visitas de brasileiros ao YouTube, leia anteriores aqui e aqui.
Nos últimos 2 anos, nós, brasileiros, estamos encarando diversos problemas com as pessoas que “mandam” no país, por causa da falta de conhecimento técnico, senso, comprometimento social ou por interesses particulares: juízes, senadores, grupos econômicos, grupos de mídia tradicionais, et cetera.
Salvo excessões, eles desconhecem as questões técnicas e sociais que envolvem as novas tecnologias de comunicação - ou talvez estejam assustados com as mudanças nas relações sociais, com o poder e liberdade que estas tecnologias e serviços dão às pessoas - e tomam decisões, ou assumem posições, questionáveis.
Primeiro, um Senador e Ex-Presidente da República, integrante de uma família reconhecidamente poderosa política e financeira, tentou silenciar alguns blogs que ousavam discordar de suas ações.
Depois, um outro senador propos uma lei que obrigaria a identificação - e talvez rastreamento das ações - de cada usuário de internet.
Como mencionado acima, em 2007, a blogosfera brasileira se mobilizou contra uma decisão bloqueando todo o YouTube, ocasionada por que algum Paparazzi gravou as “ações quentes” que uma pessoa pública sem nenhum bom senso - Daniella Cicarelli, uma modelo famosa e apresentadora da MTV Brasil - num lugar público. (Procure por termos como Daniella Cicarelli, sexo e praia no Google ou nos blogs dentro do WordPress.)
Neste ano, grupos de mídia tradicionais se calam ou tentam desqualificar jornalistas e blogueiros que ousam questionar suas opiniões e suas atitudes ou que ameaçam seus objetivos comerciais e políticos.
O problema agora torna-se pior, por dois motivos, ambos relacionados e sérios:
- Há muita importância em serviços como o Youtube, mas um serviço como o WordPress serve muito mais aos interesses do ativismo, liberdade de expressão, debates, discussões, etc. Bloqueá-lo vai calar diversas vozes brasileiras.
- O bloqueio deste blog específico, sem dizer ao público as razões, motivado por uma suposta necessidade de Segredo de Justiça é um perigo. Como podemos assegurar que este não é um precedente para calar todos os blogs que discordem sobre um governo, sobre um grupo político e financeiro poderoso, sobre injustiças e ditaduras? Há um monte de vídeos e blog s que defendem diferentes opiniões sobre o conflito entre Tibete e China, sobre as ações dos EUA no Iraque e sobre questões políticas e sociais em todo o mundo. Eu posso discordar de muitos deles, mas como Voltaire, defendo o direito de expressão de todos, não importa o qual nojenta a opinião seja.
Dito isto, peço a vocês que nos ajudem a defender nossos direitos em casos assim, caso nosso sistema judiciário realmente tente alcancá-los:
- Provendo à corte brasileira um parecer técnico e suporte sobre a melhor forma de lidar com o bloqueio deste blog específicio, sem comprometer o acesso ao wordpress.com
- Provendo ao dono do blog tempo suficiente e meio de manter o seu direito de defesa, dados e usar a ferramenta de migração do blog e mostrar ao mundo sua opinião.
- Provendo à blogosfera informação sobre o blogue em questão, seu endereço e conteúdo. A fim de nos permitir julgar a questão por nós mesmos, e a oportunidade de a) tomarmos uma posição clara e b) mostrar ao mundo que lutamos por nosso direito de equilibrar o poder
Vocês já demonstraram, diversas vezes, valorizar a democracia, o bom senso e o bem comum na internet.
Espero que agora, seja o mesmo caso.
Conto com vocês.
‘braços
Celso Besss”
Leiam matéria da Folha on Line sobre este episódio AQUI
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O Fixo é Mutável
Abril 10, 2008
[Inspirado numa reflexão de Ítalo Calvino: "... quem nos dera fosse possível uma obra que nos permitisse sair da perspectiva limitada do eu individual, não só para entrar em outros eus semelhantes ao nosso, mas para fazer falar o que não tem palavra, o pássaro que pousa no beiral, a árvora na primavera e a árvore no outono, a pedra, o cimento, o plástico..." ]
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Manhã fria, céu cinzento, aqui no canteiro central da avenida o vento revira as folhas secas, volteando entre elas. Estou quase nua, desfolhando a olhos vistos. Do outro lado da pista, sobre a escada, haste nas mãos, sacola pendurada nos ombros, um daqueles fardados começa a montar mais um daqueles quebra-cabeça. É curioso contemplar, estática, as transformações aqui e ao meu redor. A cena montada aos poucos, quase num flash me pareceu um espelho, mais atenta percebo o contraste com a manhã enevoada. Colorida e ensolarada, ela vai insinuando-se aos poucos, o azul vai se espalhando… agora o céu vai dando lugar a algumas manchas esverdeadas que se misturam a tons de vermelho fogo, são flores que pontilham o verde, vibrantes como pequenas labaredas que lambem o céu.
Instantaneamente o tempo premedita outro tempo, fragmentos de um mesmo (ou outro?) espaço - presente, passado ou futuro num intervalo capturado, paralisado. O vento sopra mais forte, levando-me quase todas as folhas, agora restam poucas, parece o fim, os galhos desnudos resistem à sua fúria, guardando-se para mais além, ou logo ali para o azul e o calor expostos do outro lado. Uma outra estação, outra vida, um prenúncio, mas ainda me aguarda o frio do inverno.
Dali, raízes fixadas, diante da impossibilidade do movimento, da fuga, contraditoriamente, testemunho incontigentes transformações que se projetam regidas por ciclos sucedentes, e no entanto imutáveis, mas que trazem em si a semente da renovação que transcende qualquer circunstância.












