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Archive for the ‘poesia’ Category

Árido

quando ela chegou
com o aroma das flores
trouxe perfume e cor
à sua vidinha árida
de deserto sem oásis

agora sozinho se perguntava
contemplando ao redor
daquele campo desfolhado
se teria sido pura ilusão

tudo parecia lavado
por um detergente biodegradável
restaram apenas
vestígios de espuma
e algumas chances de semente

(foto: Manuel Sardinha)

Categoriaspoesia, reflexões Tags:,

Enquadramentos

janelas que descortinam
pelos meus olhos se imaginam
uma doce novidade
ou uma estabelecida realidade
não querem saber
conhecer ou entrever
desejam apenas contemplar
sorver e se encantar
por ela podem recriar
mais uma vez renovar
ou apenas simplesmente
docemente sonhar

(write in jan/2007)

(foto: Vitaly Bakhvalov)

Categoriaspoesia

Big Bang

 

super nova
ela é uma estrela

de cinema?
não!

o cinema é uma ilusão
a vida imita a arte
- e ela?
- não quer nada disso não!

brilha no escuro
gota sobre a face
na sala de projeção

sai da tela
se projeta
outro brilho
nova edição

.

De Bobeira

sem idéias
meio ôca

existe o vazio?
penso no ôco do côco
um ninho de água
a água se espalha
se molda suavemente: adaptação
mata a sede e refresca

o côco é verde
e o verde?
esperança!
me sinto ecológica
abraço a natureza
esperançosa

a polpa é branca
penso na paz
me espalho
no verde
em paz

olha!
idéias brotaram
do vazio branco
e fertilizadas pelo verde
espalharam-se

FusÃo

.

tocar-me

não precisas

inundada em mel

derreto docemente

olhando tuas pupilas

dilatadas

pretas e encantadas

fixadas em mim

.

(foto:  Robin Derrick)

Tortuosos caminhos do AmoR

o beijo – KLIMT

Ele queria segui-la …

… ela inventou um mar no seu rastro e sobre ele um barco. Ele navegou.

E ele quis enxergá-la …

… ela inventou a lua cheia clareando a noite da sua angústia.

Ele desejou não ser mais só …

… ela mostrou-lhe a dor de enfrentar os seus medos.

E enfim, ele quis ser feliz …

… ela então abriu-lhe os braços diante de um abismo e ele se lançou.

.

Domingo – antes ou depois?

[dedicado ao meu querido blog-amigo 'Mariposo L' que me disse que acha poesia triste... rs]

.

narede.jpg

sábados gosto tem
chapéu de palha
preguiça que se espalha
na varanda
rede que vai-e-vem

a crista da onda
respingos na areia
pé descalço vagueia
tarde vagabunda
e você aí
preso na segunda

.

** Amo sábados, têm gosto de férias, domingos são puro tédio… já nas segundas preciso de anestesia **

[BLOG-AMIGOS, tem indicações na página SELOS, passem lá e confiram]

Leia ouvindo ’Alívio‘ (Cibelle Cavalli)

Categoriaspoesia Tags:, ,

Dali …da janela

25/02/2008 Sarah K 8 comentários

inthewindow-kepeslap_1876-snjezanajosipovic.jpg

arrasta-se o tempo
lento
opaco
cinzento
vazio de promessas

nuvens carregadas
passeiam devagar
reflexo dos seus olhos
presa no espelho da janela
corre a vida veloz
que tudo atropela

qual medida de tempo
preencherá esta lacuna
de incessantes recomeços
que alvorecem pálidos
feito manhãs de inverno?

que ao menos
gosto de fruta tenha
esta espera
madura
que no reflexo do vidro
por fugazes instantes  
perdura

(FOTO: Snjezana Josipovic)

(risos)   Ouça Fruta Vermelha’ (Apolo Nove)  enquanto lê … ou leia ‘…da Janela’ comendo a ‘Fruta‘ … você escolhe, mas não deixe de saborear o gosto das letras com o som da ‘Fruta‘ …

Categoriaspoesia Tags:, ,

Enterrado

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**  Gente, estou participando da série MULHERES POR ELAS MESMAS no blog  Não 2, Não 1 do Gustavo Gitti, quem quiser pode conferir a  ENTREVISTA AQUI  **

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foto: Janosch Simon

 

foi num dia branco
ele de branco
ela alva
resplandecente
uma trança nos cabelos
curiosidade de tudo ele tinha
olhou-a demoradamente
como quem investiga o próprio desejo
naquele instante foi capturado
inteiramente
sem chances de fuga
no calor dos dias
o branco virou vermelho

o tempo passou

o branco não mais lhe dava paz
era um roxo angustiante
revezes de uma paixão pungente
era preciso fugir
desfez-se a luz
agora era o preto
como se dissesse: aqui jaz

prá ouvir: “Ensaboar você” (Apolo Nove)

Categoriaspoesia, romance

Esquecer… sem querer

foto: Christian Coigny

.

era assim
por mais que ele negasse
ela continuava ali
era simplesmente fechar os olhos
e tudo voltava
forte e ardente
como marca de fogo sobre a pele
.
impresso no seu corpo
havia ficado aquele cheiro proibido
assim ela permanecia
sutil e escancarada
mansa e forte
doce e erotizada
reinava absoluta
imperiosa
dominando seu desejo

.
(publicado originalmente em junho/2006)
.

Categoriaseróticas, poesia

Flores em você

flores vinham em sua direção

ele despreocupado e inebriado sorriu

seu corpo, seus olhos, tudo vibrava

diante daquela primavera solta num vestido

andando despreocupadamente pela avenida

largando aromas, flores e encanto

na contra-mão do asfalto

[postado originalmente em Maio/2006]

Categoriasimagéticas, poesia

Meus Sonhos

Hoje republicando este texto para comemorar o 1º lugar - Nível IV no Concurso Literário do ISBA. Clique AQUI e veja detalhes e fotos.  

 n3.jpg

Uma convidada especial escrevendo aqui no blog. Quando li este texto fiquei tão comovida, não só pela emoção que baila por entre as palavras, mas principalmente pela felicidade de constatar o talento de Nina, minha filha caçula. Sou suspeita para falar? Pode ser, mas o texto é lindo de verdade!!  

“Pés, mãos, teus olhos, meus olhos. A noite, a cerveja, o bar, os risos, ele, eu, você. A espera, a ansiedade, a paixão. Indiretas, pernas, fios de cabelo, aromas, tênis, dinheiro. A conta, as risadas, a caminhada, mais risos. Mais olhos, mais eu, mais você. O elevador, a luz, o apartamento, as conversas. A chave, o silêncio. Mais risos. Mais ele. O terraço, a vista, a noite, o mar, as estrelas, os prédios. Eu, você, ele. Meus pés, teus pés, mão dele. Ela, você, a cozinha, os ciúmes. Eu, ele, o beijo. O fim. O choro que não foi chorado, as conversas, perguntas, esperança. Arrependimento. O elevador, a luz, o carro. Mais olhos, mais eu, mais ele. Mais você. A ida, o passeio, a chegada. Mais olhares, mais conversas, mais risos. O Campo Grande, a Federação, o Rio Vermelho. O show, os bares, a cerveja. Nossos olhares e o arrependimento. Mais indiretas, gritos, pessoas, piadas. Nós. Eu te amo, tu me amas? Ele. A vontade de sair correndo, a vontade de gritar, a vontade de você. De ter você. Nada mais. O cansaço, o sono, a volta. A orla, as prostitutas, as risadas e a despedida. A tua pulseira, meu braço, minha mão, tua mão. Nós? Olhares. “Tchau”. Eu, ele, os telefones, meu pensamento em você. Nós não mais. Minha casa, o fim. O pedido de perdão que não foi feito. A música, o sono e você em meus sonhos.”

(texto e foto: Nina Bastos)

[postado originalmente em Abril/2007]

descoberta

agora não era mais o medo
nem os disfarces
nem a sombra proposital que tudo esconde
não era mais a resistência
nem aqueles olhos fugitivos
tentando encobrir uma verdade castanha
que desafiava
com seu brilho de sol a pino

agora era a ousadia
era simplesmente esta verdade
saltando escancarada
livre e audaciosa
quase cuidadosa
não mais aprisionada

repleta de cores

sutis e embaralhadas
agora se descortina
como a visão que temos
quando miramos maravilhados

quase espantados
este intrigante caleidoscópio de nós mesmos


(Sarah K > fev/2007)

Categoriaspoesia

¨¨ Brincadeira ¨¨

(clique sobre a foto e veja ampliada … detalhes surpreendentes)

muitas cores

umas flores

muitos aromas

um segredo

e o código

destas barras

você pode colher??.

(maravilhas humanas na natureza)

 

INfinito delírio

25/10/2006 Sarah K 8 comentários

(foto: Per Eide)

.

quando estamos em gôzo
deveria ter o tempo
um formato diverso
poderia ser mágico
auto multiplicar-se
estender-se infinitamente
adiantar e retroceder
acelerar
pausar e repetir

.
parecer com teus dedos
deveria
quando percorrem meu corpo
ao subir e descer
úmidos
mornos e inquietos
quase perdidos ao me encontrar

.
parecer com tua pele
com teus fluidos
quando fundem-se aos meus
deveria
no ir e vir das descobertas táteis
que arrepiam
e disparam sensações caleidoscópicas
descargas de um prazer
sem medidas
interminável

.
infinito
assim como este tempo
deveria ser …

.
(Sarah K > out/2006)

Categoriaseróticas, poesia